{"id":31690,"date":"2015-06-24T17:27:06","date_gmt":"2015-06-24T20:27:06","guid":{"rendered":"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/?page_id=31690"},"modified":"2016-12-01T15:11:59","modified_gmt":"2016-12-01T17:11:59","slug":"o-que-so-ele-viu","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/revista-apartes\/numero-14-mai2015\/o-que-so-ele-viu\/","title":{"rendered":"N\u00ba14 &#8211; Perfil &gt; \u00cdtalo Fittipaldi"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"p1\"><span style=\"color: #800000\"><b>O que s\u00f3 ele viu<\/b><\/span><\/h1>\n<h2 class=\"p3\">Alegrias, decep\u00e7\u00f5es e bastidores da pol\u00edtica nas lembran\u00e7as de um ex-vereador<\/h2>\n<p class=\"p4\"><b>Fausto Salvadori Filho<\/b> | fausto@saopaulo.sp.leg.br<br \/>\nColaborou <b>Jos\u00e9 D\u2019Amico Bauab<\/b><\/p>\n<p><!-- imagem TOTAL - com legenda - CENTRALIZADA --><\/p>\n<div style=\"width: 100%;margin-right: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"padding: 5px;background-color: #eee !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/apartes_N14_a20.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-31497 size-large\" src=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/apartes_N14_a20-780x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"840\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-size: 0.8em;line-height: 1.1em;text-align: center;margin: -1.5em 0px 7px 0px;color: #333;!important;background-color: transparent !important\" align=\"center\">MEM\u00d3RIAS &#8211; Em casa, \u00cdtalo relembra suas hist\u00f3rias na pol\u00edtica<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"font-size: 0.5em;line-height: 1.1em;text-align: right;margin: 4px 0px 7px 0px;background-color: transparent !important\">\u00c2ngelo Dantas\/CMSP<\/p>\n<\/div>\n<p><!-- imagem TOTAL - com legenda - CENTRALIZADA --><\/p>\n<p class=\"p4\">Baixa e rouca, a voz ressoa num cadenciado discreto entre as paredes de um quarto do Hospital Benefic\u00eancia Portuguesa, em S\u00e3o Paulo, na tarde de 9 de mar\u00e7o. Sentado numa poltrona ao lado da cama, vestido numa camisola branca, com dois tubos ligados ao nariz e pulseirinha de pl\u00e1stico no pulso, \u00cdtalo Fittipaldi cantarola uma marchinha de carnaval que comp\u00f4s h\u00e1 meio s\u00e9culo para criticar a administra\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o prefeito Francisco Prestes Maia.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: center\"><b>\u201cOs buracos est\u00e3o a\u00ed,<br \/>\nEst\u00e1 tudo avacalhado.<br \/>\nO seu Chico n\u00e3o d\u00e1 jeito,<br \/>\nO seu Chico est\u00e1 cansado.<br \/>\n<\/b><b>Ai, ai, calamidade!<br \/>\nMinha rua est\u00e1 sumindo.<br \/>\nMas que barbaridade!<br \/>\nO seu Chico est\u00e1 dormindo.\u201d<\/b><\/p>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<div style=\"float: left;width: 210px;margin-right: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"float: left;padding: 5px;background-color: #eee !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/apartes_N14_a22.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-31499\" src=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/apartes_N14_a22.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"331\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-size: 0.8em;line-height: 1.1em;text-align: center;margin: -1.5em 0px 7px 0px;color: #333;!important;background-color: transparent !important\" align=\"center\">ESTREIA &#8211; No primeiro mandato como vereador, em 1956<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"font-size: 0.5em;line-height: 1.1em;text-align: right;margin: 4px 0px 7px 0px;background-color: transparent !important\">Acervo CMSP<\/p>\n<\/div>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<p class=\"p4\">Gravada pelo comediante Francisco Flaviano de Almeida, o Simpl\u00edcio, a can\u00e7\u00e3o <i>Acorda, seu Chico<\/i> \u201cdominou o Carnaval de 1962\u201d, segundo Fittipaldi. Na \u00e9poca, o autor preferiu n\u00e3o assumir a paternidade do sucesso: nos cr\u00e9ditos do disco, o compositor era identificado apenas como Edil (vereador). Mas todo mundo sabia de quem se tratava \u2013 inclusive o seu Chico. \u201cO pr\u00f3prio Prestes Maia mandou pedir que eu enviasse a ele um disco autografado\u201d, lembra \u00cdtalo, rindo.<\/p>\n<p class=\"p4\">O antigo pol\u00edtico est\u00e1 hospitalizado para uma cirurgia de uretra, marcada para o dia seguinte \u2013 um procedimento simples, mas com todos os riscos que existem em qualquer opera\u00e7\u00e3o envolvendo um paciente de 88 anos. \u201cAcho que vai dar tudo certo. E, se n\u00e3o der, eu j\u00e1 vivi bastante\u201d, afirma, tranquilo, diante da reportagem da <b>Apartes<\/b>, que \u00cdtalo aceitou receber no quarto de hospital, e do poeta Paulo Bonfim, tamb\u00e9m de 88 anos. Internado no mesmo lugar por conta de uma gripe, o poeta visita o pol\u00edtico para compartilhar mem\u00f3rias. \u201cN\u00f3s dois somos sobreviventes de um mundo que acabou\u201d, define Bonfim.<\/p>\n<p class=\"p4\">\u00c9 sobre esse mundo extinto que \u00cdtalo conta hist\u00f3rias vividas ao longo de dois mandatos como vereador, entre 1956 e 1963, e quatro como deputado federal, entre 1964 e 1983. Raras vezes ele \u00e9 protagonista, como na marchinha de seu Chico. \u00cdtalo prefere contar epis\u00f3dios estrelados por outras pessoas, das quais participou como testemunha.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s1\"><b>\u201cRouba, mas faz\u201d<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">O principal personagem das hist\u00f3rias \u00e9 Ademar de Barros, um dos mais influentes e folcl\u00f3ricos pol\u00edticos paulistas do s\u00e9culo 20. Tanto em S\u00e3o Paulo como em Bras\u00edlia, \u00cdtalo foi um ademarista fiel, de uma lealdade que ultrapassou a morte de Ademar, ocorrida em 1969, e se estendeu ao filho dele, Ademar de Barros Filho, que tamb\u00e9m seguiu a carreira pol\u00edtica.<\/p>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<div style=\"float: left;width: 410px;margin-right: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"float: left;padding: 5px;background-color: #eee !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/apartes_N14_a21.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-31498\" src=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/apartes_N14_a21-1024x628.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"245\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-size: 0.8em;line-height: 1.1em;text-align: center;margin: -1.5em 0px 7px 0px;color: #333;!important;background-color: transparent !important\" align=\"center\">NA TV &#8211; Convidado do programa Almo\u00e7o com as Estrelas, da Tupi<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"font-size: 0.5em;line-height: 1.1em;text-align: right;margin: 4px 0px 7px 0px;background-color: transparent !important\">Acervo pessoal<\/p>\n<\/div>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<p class=\"p4\">Entre as d\u00e9cadas de 30 e 60, o \u201cdoutor Ademar\u201d, como \u00cdtalo gosta de cham\u00e1-lo, foi prefeito da capital e duas vezes governador de S\u00e3o Paulo, al\u00e9m de ter disputado duas vezes a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, sem sucesso. Foi uma das principais lideran\u00e7as civis do golpe de 1964, mas, dois anos depois, acabou cassado pela ditadura que havia ajudado a criar, no momento em que se preparava para disputar a elei\u00e7\u00e3o presidencial pela terceira vez. \u201cComo homem p\u00fablico, pregava a defesa dos interesses das camadas menos privilegiadas da popula\u00e7\u00e3o e, por meio de a\u00e7\u00f5es paternalistas, angariava apoio popular. A fama de administrador ousado e din\u00e2mico cresceu, no entanto, paralelamente \u00e0s den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o em seus governos\u201d, afirma a historiadora Luiza Cristina Villam\u00e9a Cotta, da Universidade de S\u00e3o Paulo, na tese <i>Adhemar de Barros (1901-1969): a origem do \u201crouba, mas faz\u201d.<\/i><\/p>\n<p class=\"p4\">\u00cdtalo conta que o pr\u00f3prio Ademar teria criado para si o bord\u00e3o \u201crouba, mas faz\u201d, que buscava conciliar a imagem do pol\u00edtico fazedor de obras, criador do Hospital das Cl\u00ednicas e da Rodovia Anchieta, com as frequentes den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o. Logo no primeiro com\u00edcio ao lado de Ademar, em uma perua Kombi na Vila Maria, zona norte da capital, \u00cdtalo viu um morador receber o pol\u00edtico aos gritos de \u201cladr\u00e3o\u201d. O ofendido reagiu na hora: \u201cLadr\u00e3o \u00e9 a mam\u00e3ezinha\u201d.<\/p>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<div style=\"float: left;width: 310px;margin-right: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"float: left;padding: 5px;background-color: #eee !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/apartes_N14_a23.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-31500\" src=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/apartes_N14_a23-952x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"323\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-size: 0.8em;line-height: 1.1em;text-align: center;margin: -1.5em 0px 7px 0px;color: #333;!important;background-color: transparent !important\" align=\"center\">ALIADOS &#8211; \u00cdtalo cumprimenta Castelo Branco, primeiro presidente do regime militar<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"font-size: 0.5em;line-height: 1.1em;text-align: right;margin: 4px 0px 7px 0px;background-color: transparent !important\">Acervo pessoal<\/p>\n<\/div>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<p class=\"p4\">Apesar da fama do antigo l\u00edder, \u00cdtalo defende que ele n\u00e3o embolsava o dinheiro das negociatas em que se envolvia. \u201cEu penso que o doutor Ademar, para ele, n\u00e3o pegava nada. O doutor Rui \u00e9 que amealhava tudo\u201d, afirma. \u201cDoutor Rui\u201d era um c\u00f3digo usado nos meios pol\u00edticos para se referir \u00e0 amante de Ademar, Ana Capriglione. Ela chegou a manter um cofre com o equivalente a US$ 2,4 milh\u00f5es em sua casa no Rio de Janeiro. O tal cofre acabaria roubado, em 1969, por guerrilheiros da VAR-Palmares \u2013 grupo de combate \u00e0 ditadura que reunia, entre seus membros, a atual presidenta Dilma Rousseff. Ana jamais denunciou o roubo \u00e0 pol\u00edcia.<\/p>\n<p class=\"p4\">Para \u00cdtalo, os ladr\u00f5es do seu tempo eram melhores. \u201cEram corruptos temerosos, que tinham medo das repercuss\u00f5es negativas. O corrupto de hoje \u00e9 um despudorado\u201d, compara. Temores e pudores \u00e0 parte, n\u00e3o faltam malas carregadas de dinheiro vivo nas hist\u00f3rias que conta sobre o velho Ademar. Uma dessas malas teria ido parar no caixa 2 de um dos principais inimigos do ademarismo, J\u00e2nio Quadros, durante a disputa pela Prefeitura paulistana de 1953. O dinheiro era um oferecimento do pr\u00f3prio Ademar, no intuito de prejudicar Francisco Ant\u00f4nio Cardoso, rival de J\u00e2nio na disputa, em uma t\u00edpica opera\u00e7\u00e3o de fogo amigo. \u00c9 que, embora fizesse parte do Partido Social Progressista (PSP), mesma legenda de Ademar, Cardoso tinha como padrinho pol\u00edtico o ent\u00e3o governador Lucas Nogueira Garcez, que havia rompido com o cacique do partido.<\/p>\n<p class=\"p4\">Segundo \u00cdtalo, Ademar confiou a mala ao seu correligion\u00e1rio Cant\u00eddio Sampaio, que a fez chegar \u00e0s m\u00e3os do janista Anselmo Farabulini J\u00fanior. \u201cA campanha de J\u00e2nio recebeu uma grande contribui\u00e7\u00e3o, de 800 mil cruzeiros em esp\u00e9cie, do doutor Ademar\u201d, diz. Curiosamente, J\u00e2nio venceria a disputa daquele ano usando como trunfo a suposta pobreza da sua candidatura, alimentada por discursos em cima de caixote e sandu\u00edches de mortadela mastigados sobre o meio-fio.<\/p>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<div style=\"float: left;width: 310px;margin-right: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"float: left;padding: 5px;background-color: #eee !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/apartes_N14_a24.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-31501\" src=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/apartes_N14_a24.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"376\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-size: 0.8em;line-height: 1.1em;text-align: center;margin: -1.5em 0px 7px 0px;color: #333;!important;background-color: transparent !important\" align=\"center\">BRAS\u00cdLIA &#8211; Na C\u00e2mara Federal, onde atuou por quatro mandatos<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"font-size: 0.5em;line-height: 1.1em;text-align: right;margin: 4px 0px 7px 0px;background-color: transparent !important\">Acervo C\u00e2mara dos Deputados<\/p>\n<\/div>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<p class=\"p4\">\u00cdtalo conta que chegou a ver o governador Ademar retirar ma\u00e7os de dinheiro de uma mala velha mantida embaixo da mesa do seu gabinete e entreg\u00e1-los para uma freira que pedia recursos para obras sociais. \u201cEle fazia das tripas cora\u00e7\u00e3o pelo povo\u201d, afirma. Com todos os sen\u00f5es, a descri\u00e7\u00e3o que \u00cdtalo faz do seu antigo l\u00edder \u00e9 respeitosa. Segundo ele, Ademar de Barros \u201cera um latifundi\u00e1rio que desceu do palanque, p\u00f4s o palet\u00f3 no bra\u00e7o e se misturou com o povo\u201d.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s1\"><b>Deus, p\u00e1tria e fam\u00edlia<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">\u00cdtalo Fittipaldi (parente distante dos renomados pilotos de automobilismo) entrou para a pol\u00edtica a convite do amigo Hil\u00e1rio Torloni, que anos depois tornou-se vice-governador de S\u00e3o Paulo. \u201cExtremamente contra as esquerdas comunistas\u201d, filiou-se ao Partido de Representa\u00e7\u00e3o Popular (PRP), fundado por Pl\u00ednio Salgado, ide\u00f3logo do movimento integralista, de inspira\u00e7\u00e3o fascista. \u201cOs princ\u00edpios do partido eram Deus, P\u00e1tria e fam\u00edlia\u201d, lembra.<\/p>\n<p class=\"p4\">Deixou o PRP em 1957, quando o partido integralista apoiou a candidatura de Prestes Maia para a Prefeitura. \u00cdtalo preferiu apoiar Ademar de Barros, que \u201cn\u00e3o tinha nenhum ran\u00e7o de esquerda\u201d. Foi quando entrou para o PSP, iniciando sua longa trajet\u00f3ria como ademarista. Mais tarde, como deputado federal, passaria pela Alian\u00e7a Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao governo militar, e pelo Partido Democr\u00e1tico Social (PDS).<\/p>\n<p class=\"p4\">Uma das hist\u00f3rias que \u00cdtalo gosta que contar \u00e9 a da elei\u00e7\u00e3o da Mesa Diretora da 2\u00aa Legislatura da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo (CMSP), em 1952, quando era presidente do diret\u00f3rio municipal de seu partido. O candidato favorito era Jo\u00e3o Sampaio, do PR, uma \u201cvetusta figura\u201d ornada de barbas brancas, herdeiro das velhas tradi\u00e7\u00f5es do antigo Partido Republicano Paulista (tamb\u00e9m PRP), legenda que dominou o ambiente pol\u00edtico da Rep\u00fablica Velha. Correndo por fora, estava \u201cum rapaz an\u00f3dino\u201d, chamado William Salem, do PSP, que aparecia pouco, mas vinha fazendo um bom trabalho de negocia\u00e7\u00e3o nos bastidores. Quando os votos foram contados, os vereadores tomaram um susto: a elei\u00e7\u00e3o entre os 45 edis havia terminado empatada, 22 a 22. Descobriram que o aristocr\u00e1tico Sampaio havia votado em branco, por achar \u201crepugnante\u201d para um cavalheiro de sua estirpe votar em si mesmo.<\/p>\n<p class=\"p4\">Enquanto os vereadores preparavam nova elei\u00e7\u00e3o e apoiadores de Sampaio tentavam convenc\u00ea-lo a aceitar a indignidade de votar em si mesmo, Salem ganhou tempo para mudar a cabe\u00e7a de alguns parlamentares que n\u00e3o estavam t\u00e3o seguros de seus votos. Resultado: no segundo pleito, o azar\u00e3o venceu. \u201cO acordo era para uma elei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o duas\u201d, justificaram os vereadores que mudaram de lado. Gra\u00e7as \u00e0 conquista da presid\u00eancia da CMSP, Salem assumiu o cargo de prefeito de S\u00e3o Paulo em 1955, com a sa\u00edda de J\u00e2nio Quadros e do vice-prefeito, Porf\u00edrio da Paz, eleitos governador e vice-governador paulistas.<\/p>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<div style=\"float: left;width: 310px;margin-right: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"float: left;padding: 5px;background-color: #eee !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/apartes_N14_a25.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-31502\" src=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/apartes_N14_a25.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"306\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-size: 0.8em;line-height: 1.1em;text-align: center;margin: -1.5em 0px 7px 0px;color: #333;!important;background-color: transparent !important\" align=\"center\">CARINHO &#8211; Com o pai, o editor Sav\u00e9rio Fittipaldi<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"font-size: 0.5em;line-height: 1.1em;text-align: right;margin: 4px 0px 7px 0px;background-color: transparent !important\">Acervo pessoal<\/p>\n<\/div>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<p class=\"p4\">Mem\u00f3ria vem, hist\u00f3ria vai, a tarde vai chegando ao fim e eu me despe\u00e7o de \u00cdtalo. Risonho, ele promete contar mais hist\u00f3rias se sobreviver \u00e0 cirurgia do dia seguinte. Se o pior acontecer, diz que mandar\u00e1 lembran\u00e7as a S\u00e3o Pedro.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s1\"><b>O blefe e o general<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">O ex-vereador sobreviveu, mas precisou de algumas semanas e de sess\u00f5es de fisioterapia para encarar uma nova entrevista. Nossa segunda conversa acontece em 13 de abril, na casa onde ele vive com a filha e os dois netos, em Bertioga, litoral norte paulista. Mudaram para l\u00e1 ap\u00f3s a morte da esposa, Yolanda, h\u00e1 13 anos. \u00c9 um sobrado simples, numa rua de terra. Claramente, o ademarista que convivia com malas de dinheiro n\u00e3o enriqueceu com a pol\u00edtica.<\/p>\n<p class=\"p4\">Hoje \u00cdtalo \u00e9 quem nos recebe como uma \u201cvetusta figura\u201d, em camisa de mangas compridas, apoiado numa bengala. Mostra com carinho o quadro de um p\u00e1ssaro, que conta ter ganhado do artista pernambucano Francisco Brennand, quando visitou seu ateli\u00ea. A obra era uma encomenda para o embaixador americano Lincoln Gordon, mas \u00cdtalo se mostrou t\u00e3o encantado com a imagem que Brennand resolveu d\u00e1-la de presente ao pol\u00edtico. \u201cDepois eu digo para o gringo que o quadro sumiu numa enxurrada\u201d, teria dito Brennand.<\/p>\n<p class=\"p4\">Aproveito para perguntar o que \u00cdtalo achou dos pequenos grupos que, no dia anterior, haviam protestado na Avenida Paulista pedindo interven\u00e7\u00e3o militar. Ele rejeita a ideia. \u201cA primeira interven\u00e7\u00e3o, em 1964, fracassou, com todas as honras, porque Castelo Branco n\u00e3o conseguiu fazer a devolu\u00e7\u00e3o do poder aos civis\u201d, afirma, referindo-se ao primeiro presidente do governo militar.<\/p>\n<p class=\"p4\">Em 64, \u00cdtalo estava ao lado de Ademar de Barros quando o ent\u00e3o governador assumiu papel de lideran\u00e7a no golpe de Estado que derrubou o presidente Jo\u00e3o Goulart, o Jango, e instituiu uma ditadura militar que s\u00f3 acabaria ap\u00f3s 21 anos e 434 mortos e desaparecidos, segundo relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade. At\u00e9 hoje, ainda defende a a\u00e7\u00e3o daqueles dias. \u201cA na\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava aceitando bem o que se passava. A palavra de ordem das autoridades era muito desrespeitada e havia um entrela\u00e7amento muito grande com o comunismo\u201d, diz.<\/p>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<div style=\"float: left;width: 360px;margin-right: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"float: left;padding: 5px;background-color: #eee !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/apartes_N14_a27.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-31504\" src=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/apartes_N14_a27.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"304\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-size: 0.8em;line-height: 1.1em;text-align: center;margin: -1.5em 0px 7px 0px;color: #333;!important;background-color: transparent !important\" align=\"center\">HONRARIA &#8211; Com Yolanda, recebe do vereador Antonio Carlos Rodrigues o T\u00edtulo de Cidad\u00e3o Paulistano, concedido em 1981<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"font-size: 0.5em;line-height: 1.1em;text-align: right;margin: 4px 0px 7px 0px;background-color: transparent !important\">Equipe de Eventos\/CMSP<\/p>\n<\/div>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<p class=\"p4\">Na noite de 31 de mar\u00e7o, viu Ademar convocar uma cadeia estadual de r\u00e1dio e televis\u00e3o para contar que a revolta militar acabava de receber o apoio do general Amauri Kruel, comandante do 2\u00ba Ex\u00e9rcito, sediado em S\u00e3o Paulo. Pouco depois, \u00cdtalo descobriu que o an\u00fancio do apoio de Kruel, considerado fundamental para o sucesso do golpe, n\u00e3o passava de um blefe. Acompanhando o governador numa visita em comitiva \u00e0 casa de Kruel, no bairro paulistano Jardim Paulista, ouviu Ademar avisar ao seu secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a, general Ald\u00e9vio Barbosa de Lemos, antes de entrar sozinho na resid\u00eancia: \u201cSe passarem 15 minutos e eu n\u00e3o me manifestar, voc\u00ea entra e d\u00e1 voz de pris\u00e3o para o general\u201d. Nem foi preciso. Dali a pouco, Ademar acenava da janela para o restante da comitiva entrar. O general mostrou-se satisfeito com o an\u00fancio feito pelo governador, mesmo que \u00e0 sua revelia. \u201cAdemar, voc\u00ea salvou a minha tranquilidade. O Jango vai pensar que \u00e9 coisa sua, como de fato \u00e9, mas voc\u00ea me salvou junto a meus colegas. Eles viriam aqui me prender e eu teria que reagir\u201d, teria dito Kruel.<\/p>\n<p class=\"p4\">A entrevista \u00e9 interrompida pela filha de \u00cdtalo, Ana Maria, 44 anos, ao passar pela sala de estar carregando os pratos e tambores de uma bateria. Ao lado dela v\u00e3o os filhos, Lucas, de 15 anos, e Henrique, de 3, netos de \u00cdtalo. O antigo pol\u00edtico conservador, quem diria, tem uma filha roqueira com os bra\u00e7os cobertos por tatuagens, que trabalha agenciando shows para bandas de rock em bares do litoral. \u201cEla nunca me pediu autoriza\u00e7\u00e3o para nenhuma tatuagem. Eu n\u00e3o gosto\u201d, reclama. Ana conta mais: \u201cA primeira <i>tatoo<\/i> eu fiz com 14 anos. Pedi dinheiro dizendo que era tempor\u00e1ria. Ele acreditou e est\u00e1 a\u00ed at\u00e9 hoje\u201d. Pai e filha riem juntos.<\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s1\"><b>A maior decep\u00e7\u00e3o<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p4\">Na conversa em Bertioga, \u00cdtalo reconta alguns dos epis\u00f3dios narrados um m\u00eas antes, em S\u00e3o Paulo. Pensa que, se uma hist\u00f3ria \u00e9 boa, n\u00e3o carece de ineditismo. \u201cEssa eu j\u00e1 contei? Pois vou repetir\u201d, diz. Uma delas \u00e9 a da tentativa fracassada de articula\u00e7\u00e3o entre J\u00e2nio Quadros, ent\u00e3o no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), com o filho de seu arquinimigo pol\u00edtico, Ademar de Barros Filho, do Partido Democr\u00e1tico Trabalhista (PDT), em 1985. Na disputa pela Prefeitura de S\u00e3o Paulo, J\u00e2nio procurou \u00cdtalo para sugerir que Ademarzinho entrasse como vice em sua chapa. Em troca, receberia de J\u00e2nio apoio para se lan\u00e7ar candidato a governador.<\/p>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<div style=\"float: left;width: 410px;margin-right: 1.5em;margin-bottom: 1.5em\">\n<div style=\"float: left;padding: 5px;background-color: #eee !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/apartes_N14_a26.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-31503\" src=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/apartes_N14_a26-1024x681.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"266\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-size: 0.8em;line-height: 1.1em;text-align: center;margin: -1.5em 0px 7px 0px;color: #333;!important;background-color: transparent !important\" align=\"center\">FAM\u00cdLIA &#8211; Com o neto Henrique (\u00e0 esquerda), a filha, Ana Maria, e o neto Lucas<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"font-size: 0.5em;line-height: 1.1em;text-align: right;margin: 4px 0px 7px 0px;background-color: transparent !important\">\u00c2ngelo Dantas\/CMSP<\/p>\n<\/div>\n<p><!-- imagem MEDIA - com legenda - LADO ESQUERDO --><\/p>\n<p class=\"p4\">Realizar a uni\u00e3o entre janistas e ademaristas teria sido um feito hist\u00f3rico, quem sabe um fecho de ouro para a carreira pol\u00edtica de \u00cdtalo, bem do jeito que ele gostava de atuar: nos bastidores, fazendo as hist\u00f3rias dos protagonistas acontecerem. Ap\u00f3s ouvir a proposta de J\u00e2nio, recebeu sinal verde de Ademarzinho para viajar ao Rio de Janeiro e ouvir Leonel Brizola, l\u00edder do PDT. Brizola aceitou a alian\u00e7a e ainda disse para Doutel de Andrade, um de seus aliados, que sentia urtic\u00e1rias s\u00f3 de ouvir o nome J\u00e2nio: \u201cTch\u00ea, pol\u00edtica se faz com a cabe\u00e7a, n\u00e3o com a epiderme\u201d.<\/p>\n<p class=\"p4\">\u201cAdemarzinho tinha tudo em frente. Era s\u00f3 embarcar no carro, que eu j\u00e1 havia aberto a porta para ele.\u201d Mas uma reuni\u00e3o na casa de Ademarzinho mudou tudo. L\u00e1, outros aliados, contempor\u00e2neos do velho Ademar, recomendaram rejeitar a proposta de acordo. Argumentaram que os ataques desferidos por J\u00e2nio, duas d\u00e9cadas antes, n\u00e3o podiam ser esquecidos. \u201cAs l\u00e1grimas que J\u00e2nio provocou em dona Leonor ainda n\u00e3o secaram\u201d, disse um deles, mencionando o nome da m\u00e3e de Ademarzinho. O filho de Ademar de Barros desistiu da alian\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"p4\">\u201cFoi uma das maiores decep\u00e7\u00f5es da minha vida\u201d, desabafa \u00cdtalo. Para ele, Ademarzinho se deixou levar por colegas que queriam apenas impedir a sua ascens\u00e3o pol\u00edtica. \u201cEle foi v\u00edtima da inveja dos pr\u00f3prios companheiros.\u201d Pouco depois, \u00cdtalo Fittipaldi abandonou a vida p\u00fablica.<\/p>\n<p class=\"p4\">Antes de encerrar a entrevista, \u00cdtalo fala, brincando, de outro acordo, que, este sim, conseguiu costurar. Conta que, no m\u00eas anterior, durante a cirurgia, tudo ficou escuro e ele se viu, de repente, numa nuvem, ao lado de um senhor barbudo, com um chaveiro na m\u00e3o. \u201cUsando a l\u00e1bia t\u00edpica de um pol\u00edtico, consegui que ele me deixasse ficar ali mesmo, trabalhando como auxiliar de portaria. Quando se distra\u00edram, voltei e acordei no hospital\u201d, diz. \u201cAgora, pode ser que eu chegue aos cem anos.\u201d<\/p>\n<p><!-- imagem TOTAL - com legenda - CENTRALIZADA --><\/p>\n<div style=\"width: 100%;margin-right: 1.5em\">\n<div style=\"padding: 5px;background-color: transparent !important\">\n<p><a href=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/apartes_N14_b12.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-31516 size-large\" src=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/apartes_N14_b12-1024x880.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"550\" \/><\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!-- imagem TOTAL - com legenda - CENTRALIZADA --><\/p>\n<h2 class=\"p4\"><span style=\"color: #800000\"><b>Saiba mais<\/b><\/span><\/h2>\n<p class=\"p4\"><b>Adhemar de Barros (1901-1969): a origem do \u2018rouba, mas faz\u2019<\/b>. Luiza Cristina Villam\u00e9a Cotta. Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado. Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica da FFLCH-USP. 2008.<\/p>\n<p><!-- COMENTE SOBRE ESSA MATERIA --><\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\" width=\"50%\">\n<h5>Comente sobre essa mat\u00e9ria:<\/h5>\n<p><a style=\"font-family: 'Helvetica Neue', 'Helvetica', Helvetica, Arial, sans-serif;color: #fff;font-size: 12px;text-decoration: none;font-weight: bold;text-align: center;background-color: #3b5998 !important;margin: 0 0 10px;padding: 3px 7px\" title=\"Facebook da revista Apartes\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/RevistaApartes\" target=\"_blank\">Facebook<\/a> <a style=\"font-family: 'Helvetica Neue', 'Helvetica', Helvetica, Arial, sans-serif;color: #fff;font-size: 12px;text-decoration: none;font-weight: bold;text-align: center;background-color: #1daced !important;margin: 0 0 10px;padding: 3px 7px\" title=\"Twitter da revista Apartes\" href=\"https:\/\/twitter.com\/RevistaApartes\" target=\"_blank\">Twitter<\/a><\/td>\n<td align=\"center\" width=\"50%\">\n<h5>Envie cr\u00edticas ou sugest\u00f5es:<\/h5>\n<p>Email: <strong><a href=\"mailto:apartes@saopaulo.sp.leg.br\">apartes@saopaulo.sp.leg.br<\/a><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><!-- COMENTE SOBRE ESSA MATERIA --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que s\u00f3 ele viu Alegrias, decep\u00e7\u00f5es e bastidores da pol\u00edtica nas lembran\u00e7as de um ex-vereador Fausto Salvadori Filho | fausto@saopaulo.sp.leg.br Colaborou Jos\u00e9 D\u2019Amico Bauab MEM\u00d3RIAS &#8211; Em casa, \u00cdtalo relembra suas hist\u00f3rias na pol\u00edtica \u00c2ngelo Dantas\/CMSP Baixa e rouca, a voz ressoa num cadenciado discreto entre as paredes de um quarto do Hospital Benefic\u00eancia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"parent":115,"menu_order":7,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-31690","page","type-page","status-publish","hentry"],"meta_all":{"_wp_page_template":["default"],"_yoast_wpseo_title":["O que s\u00f3 ele viu - 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