{"id":35880,"date":"2016-05-17T19:42:21","date_gmt":"2016-05-17T22:42:21","guid":{"rendered":"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/?page_id=35880"},"modified":"2020-03-13T15:04:33","modified_gmt":"2020-03-13T18:04:33","slug":"com-a-palavra-oswaldo-de-camargo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/revista-apartes\/numero-19\/com-a-palavra-oswaldo-de-camargo\/","title":{"rendered":"N\u00ba19 &#8211; Com a palavra"},"content":{"rendered":"<h1><span style=\"color: #993300\"><strong>Oswaldo de Camargo<\/strong><\/span><\/h1>\n<h2>O escritor explica como os negros utilizam a literatura para combater o racismo e mostrar suas realidades<\/h2>\n<p><strong>Rodrigo Garcia<\/strong> | rodrigogarcia@saopaulo.sp.leg.br<br \/>\nColaborou <strong>Matheus Briet<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><a style=\"color: #0000ff\" href=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/oswaldo-de-camargo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leia a nova vers\u00e3o compat\u00edvel com dispositivos m\u00f3veis<\/a><\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_35824\" aria-describedby=\"caption-attachment-35824\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/05\/apartes_n19_4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-35824\" src=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/05\/apartes_n19_4-1024x529.jpg\" alt=\"\u201cO preconceito \u00e9 como os assaltantes que emboscam. 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Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 preparado para enfrent\u00e1-los naquele momento\u201d |\u00a0Foto: Marcelo Ximenez\/CMSP<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Filho de colhedores de caf\u00e9 analfabetos, o poeta, contista, romancista, pesquisador e jornalista Oswaldo de Camargo fez das palavras sua arma contra o racismo, o preconceito e a indiferen\u00e7a. \u201cMinha milit\u00e2ncia \u00e9 na literatura\u201d, orgulha-se. Segundo o escritor, \u201co negro n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 v\u00edtima do preconceito, tamb\u00e9m \u00e9 v\u00edtima da indiferen\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Aos 79 anos, Camargo \u00e9 especialista em literatura negra, autor do livro <em>O negro escrito \u2013 apontamentos sobre a presen\u00e7a do negro na literatura brasileira<\/em> e considerado um dos principais representantes no Brasil desse segmento liter\u00e1rio. Entre suas obras, destacam-se <em>A descoberta do frio<\/em>, <em>O obo\u00e9<\/em> e <em>Raiz de um negro brasileiro<\/em>. Por seu ensaio sobre literatura negra ele recebeu a Medalha de M\u00e9rito Cruz e Sousa, da Secretaria de Cultura de Santa Catarina, e a Medalha Zumbi dos Palmares, da C\u00e2mara Municipal de Salvador (BA).<\/p>\n<p>No ano passado, foi homenageado pela C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo (CMSP) com o T\u00edtulo de Cidad\u00e3o Paulistano, por iniciativa do vereador Antonio Donato (PT). Uma frase de Camargo, na antologia de poetas negros <em>A raz\u00e3o da chama<\/em>, resume sua vida e obra: \u201cEu tenho na minh\u2019alma a ang\u00fastia de todas as ra\u00e7as. S\u00f3 h\u00e1 um pormenor: sou um negro\u201d. Entre centenas de livros, dezenas de obras de arte da cultura negra e brinquedos do primeiro bisneto, Camargo conversou com a Apartes sobre negritude, preconceito e literatura.<\/p>\n<h3><strong>Qual a sua milit\u00e2ncia no movimento negro?<\/strong><\/h3>\n<p>Meu movimento \u00e9 a literatura. N\u00e3o tenho atitudes pol\u00edticas, de sair na rua, de fazer protestos. Todo meu protesto \u00e9 com a palavra. Acredito na for\u00e7a da literatura, na for\u00e7a da palavra, na for\u00e7a de cavoucar a hist\u00f3ria do negro e lev\u00e1-la para o texto. Isso falta. Falta voz ao negro. Eu tento, como negro, dar voz \u00e0 minha turma, que tem pouca voz.<\/p>\n<figure id=\"attachment_35826\" aria-describedby=\"caption-attachment-35826\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/05\/apartes_n19_6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-35826\" src=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/05\/apartes_n19_6-300x213.jpg\" alt=\"\u201cLiteratura negra \u00e9 a literatura que o negro escreve olhando para si mesmo, para sua realidade\u201d Foto: Marcelo Ximenez\/CMSP\" width=\"300\" height=\"213\" srcset=\"https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/05\/apartes_n19_6-300x213.jpg 300w, https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/05\/apartes_n19_6-768x546.jpg 768w, https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/05\/apartes_n19_6-1024x729.jpg 1024w, https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/05\/apartes_n19_6.jpg 1071w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-35826\" class=\"wp-caption-text\">\u201cLiteratura negra \u00e9 a literatura que o negro escreve olhando para si mesmo, para sua realidade\u201d |\u00a0Foto: Marcelo Ximenez\/CMSP<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Qual a situa\u00e7\u00e3o do negro na cidade de S\u00e3o Paulo?<\/strong><\/h3>\n<p>O negro \u00e9 o segmento mais empobrecido, menos valorizado, aparece pouco na m\u00eddia. E quando aparece, n\u00e3o \u00e9 na sua dignidade, aparece geralmente na sua decad\u00eancia. S\u00e3o Paulo \u00e9 uma cidade que tem muita gente de fora, muita gente procurando sucesso. Mas, por quest\u00f5es hist\u00f3ricas, o negro nessa corrida est\u00e1 mais enfraquecido. O rosto de uma pessoa abre o seu caminho e, muitas vezes, o do negro ainda n\u00e3o \u00e9 um rosto que abre caminhos. At\u00e9 pessoas de sucesso na m\u00eddia, como a atriz Ta\u00eds Ara\u00fajo, um exemplo de beleza negra, sofrem com o preconceito [em 2015, a atriz sofreu ataques racistas nas redes sociais].<\/p>\n<h3><strong>\u00c9 poss\u00edvel resolver a quest\u00e3o do preconceito?<\/strong><\/h3>\n<p>No Brasil, o preconceito, a olhada ruim sobre o negro, essa vis\u00e3o de indiferen\u00e7a, est\u00e1 introjetado h\u00e1 muito tempo. Diminuir isso demanda muito trabalho, pois os negros est\u00e3o geralmente nas classes mais enfraquecidas, com moradia ruim, pouco n\u00edvel universit\u00e1rio e, o mais importante, sem o respeito que se deve a todo ser humano.<\/p>\n<h3><strong>O senhor j\u00e1 foi v\u00edtima de racismo?<\/strong><\/h3>\n<p>O primeiro encontro racista foi dentro da Igreja, quando tentei ser padre. A dificuldade foi muito grande. Um semin\u00e1rio daqui perto de S\u00e3o Paulo n\u00e3o me aceitou. Eu tinha 12 anos, era um menino inocente, mas inteligente. Com perspectivas. Estudava no Col\u00e9gio Reino da Garotada, em Po\u00e1 (regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo), e os padres holandeses que o administravam estavam convencidos de que eu tinha voca\u00e7\u00e3o para ser padre. Mas eles nunca imaginaram que seria t\u00e3o dif\u00edcil encontrar um semin\u00e1rio que me aceitasse. Foi o primeiro contato que tive com o racismo. N\u00e3o me aceitaram no semin\u00e1rio por uma quest\u00e3o puramente racial.<\/p>\n<h3><strong>Houve outros casos?<\/strong><\/h3>\n<p>Aqui no Brasil o preconceito \u00e9 como os assaltantes que emboscam. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 preparado para enfrent\u00e1-los naquele momento. J\u00e1 fui proibido de entrar no elevador social em um pr\u00e9dio nos Jardins (bairro nobre de S\u00e3o Paulo). S\u00f3 entrei depois que ameacei chamar a reportagem do <em>Jornal da Tarde<\/em>, onde eu trabalhava na \u00e9poca. Tamb\u00e9m j\u00e1 tive a bolsa revistada porque olhei para um carro de pol\u00edcia, aqui perto de casa, em Lauzane Paulista. S\u00f3 pelo fato de eu ter olhado para uma viatura, o policial falou \u201cvem c\u00e1, abre sua bolsa\u201d. Faria com um branco? Duvido. E digo mais: \u00e9 t\u00e3o doloroso, porque muitos negros acabam tendo preconceito contra os pr\u00f3prios negros.<\/p>\n<h3><strong>O senhor convive com intelectuais. Nesse meio h\u00e1 preconceito?<\/strong><\/h3>\n<p>O preconceito n\u00e3o poupa o intelectual, mas geralmente ele \u00e9 mais resguardado devido a sua vis\u00e3o de mundo mais esclarecida. Muitas vezes o preconceito e o racismo s\u00e3o frutos de uma crassa ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<h3><strong>O senhor acha que seu bisneto, Miguel, de dois anos, sofrer\u00e1 preconceito?<\/strong><\/h3>\n<p>N\u00e3o do jeito que eu sofri. Mas devemos levar em conta que o preconceito \u00e9 um camale\u00e3o. Num Pa\u00eds com uma popula\u00e7\u00e3o negra maior que a branca, \u00e9 dif\u00edcil evitar que os negros entrem nas faculdades. Por\u00e9m voc\u00ea olha a porcentagem e percebe que o n\u00famero de brancos cresce em segmentos de prest\u00edgio e que o n\u00famero de negros fica l\u00e1 atr\u00e1s. O preconceito n\u00e3o come\u00e7a quando se entra na faculdade. As portas fechadas come\u00e7am na inf\u00e2ncia. Na hora de come\u00e7ar a corrida, o negro j\u00e1 sai com uma desvantagem. Mas, como cat\u00f3lico, sou um otimista. Acho que paci\u00eancia e esperan\u00e7a s\u00e3o grandes virtudes para os negros.<\/p>\n<h3><strong>Qual esperan\u00e7a os negros podem ter?<\/strong><\/h3>\n<p>Estamos em um mundo conturbado, um mundo ruim em todos os aspectos, em todas as partes, onde temos terrorismo. Aqui no Brasil o desemprego est\u00e1 podando os mais desvalidos, que v\u00e3o sofrer mais, eles precisam ter esperan\u00e7a. Imagine a pessoa desempregada, que n\u00e3o tem casa pr\u00f3pria, que tem tr\u00eas filhos. Se n\u00e3o tem esperan\u00e7a, voc\u00ea desanima e diz \u201cn\u00e3o tem jeito, eu vou parar\u201d. Voc\u00ea tem de continuar lutando. Na medida em que voc\u00ea pessoalmente cresce, conclui seus projetos, educa-se e educa sua fam\u00edlia, voc\u00ea est\u00e1 combatendo o preconceito, voc\u00ea est\u00e1 blindando aquele jovem para poder responder como se deve a um racista.<\/p>\n<h3><strong>O que \u00e9 literatura negra?<\/strong><\/h3>\n<p>Literatura negra \u00e9 a literatura que o negro escreve olhando a si mesmo. Eu tenho v\u00e1rias realidades, sou brasileiro, homem, nasci em Bragan\u00e7a Paulista (interior de S\u00e3o Paulo), moro na capital. Eu me olho, na minha humanidade, com essa carga, esses coloridos, homem, brasileiro. A\u00ed eu percebo que tem uma coisa que est\u00e1 me diferenciando. Historicamente, politicamente eu estou sendo diferenciado, eu tenho uma diferen\u00e7a: a minha origem. Meus bisav\u00f3s vieram da \u00c1frica. Eu re\u00fano todos esses dados e resolvo escrever algo em torno, compactuando com essas diferen\u00e7as, com essas nuan\u00e7as, com esses fatos hist\u00f3ricos que repercutiram dentro de mim e me tornaram um homem que tem uma vis\u00e3o de mundo, em muitos aspectos, diferenciado do comando ocidental, a\u00ed eu estou fazendo uma literatura negra. \u00c9 a literatura que o negro escreve olhando para sua realidade. Esse conceito, que ganhou corpo sobretudo em S\u00e3o Paulo nos anos 1970, est\u00e1 aos poucos se firmando.<\/p>\n<figure id=\"attachment_35825\" aria-describedby=\"caption-attachment-35825\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/05\/apartes_n19_5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-35825\" src=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/05\/apartes_n19_5-1024x521.jpg\" alt=\"\u201cO escritor \u00e9 um homem que suga a vida e a transforma em belos textos\u201d Foto: Marcelo Ximenez\/CMSP\" width=\"640\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/05\/apartes_n19_5-1024x521.jpg 1024w, https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/05\/apartes_n19_5-300x153.jpg 300w, https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/05\/apartes_n19_5-768x391.jpg 768w, https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/05\/apartes_n19_5.jpg 1147w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-35825\" class=\"wp-caption-text\">\u201cO escritor \u00e9 um homem que suga a vida e a transforma em belos textos\u201d |\u00a0Foto: Marcelo Ximenez\/CMSP<\/figcaption><\/figure>\n<h3><\/h3>\n<h3><strong>Um dos maiores escritores brasileiros, Machado de Assis, faz parte desse segmento liter\u00e1rio?<\/strong><\/h3>\n<p>Ele era pardo, com m\u00e3e portuguesa e pai neto de escravos, era racialmente dividido. Podia ser visto como negro ou n\u00e3o. Era considerado mulato. No s\u00e9culo 19 havia essa nuance. No tempo de Machado de Assis n\u00e3o existia ainda o conceito de literatura negra. E ele n\u00e3o particularizou o fato de ser negro. Se o fizesse, n\u00e3o seria o Machado de Assis que conhecemos, um mestre da l\u00edngua que fez uma literatura autenticamente brasileira. Seria, no seu tempo, um escritor \u201cestreitado\u201d pela palavra negro.<\/p>\n<h3><strong>Como anda a situa\u00e7\u00e3o dos autores negros na cidade de S\u00e3o Paulo?<\/strong><\/h3>\n<p>Est\u00e1 numa boa fase. Foi daqui que se irradiou para todo o Pa\u00eds esse movimento chamado literatura negra. A imprensa negra tem ajudado muito e um coletivo de autores chamado Quilombhoje, do qual fui um dos fundadores, tem textos muito bons.<\/p>\n<h3><strong>Os blogs t\u00eam fortalecido essa tend\u00eancia cultural?<\/strong><\/h3>\n<p>Sim. Na periferia h\u00e1 grupos que tratam, sobretudo, de problemas sociais, e no meio desses problemas sociais aparece a quest\u00e3o do negro. Ent\u00e3o, n\u00f3s podemos considerar essa literatura que eles escrevem tamb\u00e9m como literatura negra, porque s\u00e3o negros falando da sua realidade, do seu viver, dos seus sonhos, da sua esperan\u00e7a, do seu sofrimento.<\/p>\n<h3><strong>E as letras de funk, rap e hip-hop podem ser consideradas literatura negra?<\/strong><\/h3>\n<p>Elas s\u00e3o um retrato do Pa\u00eds. S\u00e3o literatura, um documento importante que mostra o n\u00edvel em que o Brasil est\u00e1 na quest\u00e3o negra, vista por pessoas jovens, que n\u00e3o leem, que n\u00e3o podem ter livros e s\u00e3o sofridas.<\/p>\n<h3><strong>O senhor \u00e9 conselheiro do Museu Afro Brasil, localizado no Parque Ibirapuera. A institui\u00e7\u00e3o ajuda os escritores?<\/strong><\/h3>\n<p>Muito. \u00c9 um tambor que repercute porque, apesar do seu escopo fundamental ser as artes pl\u00e1sticas, o museu tem uma biblioteca e promove palestras. O escritor vai e pode ver rostos de pessoas que ele nunca podia ver se n\u00e3o fosse ao museu. A institui\u00e7\u00e3o enriquece o conhecimento do escritor e d\u00e1 uma viv\u00eancia importante. O fato de haver um local que reuniu obras de arte e documentos, como os textos da poetisa Carolina Maria de Jesus, d\u00e1 um viver para a vida liter\u00e1ria. O escritor n\u00e3o pode se manter apenas como o homem que faz literatura. Ele tem de ter conhecimentos enormes. S\u00e3o observadores da sociedade, andam no meio do povo, andam em botecos. Quantos autores andavam no meio de gente que era praticamente desvalida, menosprezada, e da\u00ed sa\u00edram seus textos? Se lambuzam com a vida. O escritor \u00e9 um homem que suga a vida e a transforma em belos textos.<\/p>\n<h3><strong>Como o poder p\u00fablico pode ajudar o autor negro?<\/strong><\/h3>\n<p>Abrindo caminho para as suas manifesta\u00e7\u00f5es. O poder p\u00fablico podia fazer um trabalho de levar essa literatura para as escolas. Os escritores negros poderiam ir para as escolas ensinar o que sabem e aprender com os alunos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oswaldo de Camargo O escritor explica como os negros utilizam a literatura para combater o racismo e mostrar suas realidades Rodrigo Garcia | rodrigogarcia@saopaulo.sp.leg.br Colaborou Matheus Briet Leia a nova vers\u00e3o compat\u00edvel com dispositivos m\u00f3veis &nbsp; Filho de colhedores de caf\u00e9 analfabetos, o poeta, contista, romancista, pesquisador e jornalista Oswaldo de Camargo fez das palavras [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"parent":35866,"menu_order":3,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-35880","page","type-page","status-publish","hentry"],"meta_all":{"_edit_lock":["1584122610:109"],"_edit_last":["109"],"_wp_page_template":["default"],"_yoast_wpseo_bctitle":["Com a palavra - Oswaldo de Camargo"],"_cmsp_page_download-files":["a:1:{i:0;a:1:{s:4:\"type\";s:3:\"pdf\";}}"],"_yoast_wpseo_opengraph-title":["Oswaldo de Camargo"],"_yoast_wpseo_opengraph-description":["O escritor explica como os negros utilizam a literatura para combater o racismo e mostrar suas realidades"],"_yoast_wpseo_twitter-title":["Oswaldo de Camargo"],"_yoast_wpseo_twitter-description":["O escritor explica como os negros utilizam a literatura para combater o racismo e mostrar suas realidades"],"_yoast_wpseo_content_score":["30"]},"meta_all_2":{"_edit_lock":["1584122610:109"],"_edit_last":["109"],"_wp_page_template":["default"],"_yoast_wpseo_bctitle":["Com a palavra - 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