{"id":49371,"date":"2020-09-03T16:10:33","date_gmt":"2020-09-03T19:10:33","guid":{"rendered":"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/?p=49371"},"modified":"2020-11-04T17:16:40","modified_gmt":"2020-11-04T20:16:40","slug":"a-gripe-que-derrubou-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/a-gripe-que-derrubou-sao-paulo\/","title":{"rendered":"A gripe que derrubou S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<span class=\"span-reading-time rt-reading-time\" style=\"display: block;\"><span class=\"rt-label rt-prefix\">Tempo estimado de leitura: <\/span> <span class=\"rt-time\"> 22<\/span> <span class=\"rt-label rt-postfix\">minutos<\/span><\/span><p><strong>Fausto Salvadori<\/strong> | <a href=\"mailto:fausto@saopaulo.sp.leg.br\">fausto@saopaulo.sp.leg.br<\/a><\/p>\n<p>Para ter uma ideia do que foi a gripe que assolou S\u00e3o Paulo em 1918, voc\u00ea precisa mentalizar tudo o que de pior voc\u00ea viveu neste ano com a covid-19 e depois multiplicar pelo cen\u00e1rio de um apocalipse zumbi.<\/p>\n<p>Imagine uma cidade de ruas vazias, por onde circulam apenas bondes e caminh\u00f5es lotados de caix\u00f5es. Acrescente m\u00e9dicos que ainda acreditavam em receitar purgantes, sangrias e quinino \u2014 um av\u00f4 da cloroquina \u2014 para curar todos os males, sem falar dos que envenenavam seus pacientes com inje\u00e7\u00f5es de merc\u00fario. Misture tudo com muita desigualdade social. Polvilhe com a fome nos bairros oper\u00e1rios e os saques por comida. Deixe o medo da morte se estender por 66 dias. Est\u00e1 pronto. Visualize o horror acompanhado de uma caipirinha \u2014 bebida que, reza a lenda, nasceu daqueles dias de peste \u2014 e bote para tocar um samba anunciando que o mundo ia se acabar.<\/p>\n<h3><strong>A ESPANHOLA QUE N\u00c3O ERA<br \/>\n<\/strong><\/h3>\n<p>Surgida provavelmente nos Estados Unidos, mas batizada de espanhola, a pandemia de 1918 foi uma das mais devastadoras da hist\u00f3ria. Tratava-se de uma gripe, tamb\u00e9m chamada de influenza, provocada pelo v\u00edrus H1N1. Em pouco mais de um ano, contaminou aproximadamente um ter\u00e7o de todos os seres humanos da \u00e9poca e deixou um n\u00famero de mortos estimado entre 20 milh\u00f5es e 50 milh\u00f5es, com estudos mais recentes mencionando at\u00e9 100 milh\u00f5es. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) levou quatro anos para matar 8 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Na cidade de S\u00e3o Paulo, a gripe espanhola, ou apenas \u201ca espanhola!\u201d, como os moradores da cidade se referiam, em tom alarmado, \u00e0 enfermidade durante os seus piores momentos, levou 5.429 vidas em 66 dias, o equivalente a 1% da popula\u00e7\u00e3o paulistana, que era de 523.196 pessoas na \u00e9poca, conforme dados levantados pelo historiador Claudio Bertolli Filho no livro <em>A gripe espanhola em S\u00e3o Paulo, 1918<\/em>. Para ser t\u00e3o destrutiva quanto a gripe de 1918, a atual pandemia de coronav\u00edrus precisaria matar 125.200 paulistanos, e isso em dois meses.<\/p>\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n[aesop_quote  type=&#8221;pull&#8221; background=&#8221;#000000&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;\u201cAs epidemias seguem sempre o mesmo roteiro\u201d&#8221; cite=&#8221;Claudio Bertolli Filho,<br \/>\nhistoriador&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221;]\n<p>Apesar do n\u00famero de mortes, a popula\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo demorou para acordar para os riscos que corria. At\u00e9 poucos dias antes de os bondes come\u00e7arem a se encher de caix\u00f5es, autoridades e m\u00e9dicos ainda defendiam que a doen\u00e7a n\u00e3o passava de uma gripezinha como as outras. Parece familiar?<\/p>\n<p>\u201cAs epidemias seguem sempre o mesmo roteiro\u201d, explicou Claudio em um <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2gpvgfOVfkk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">semin\u00e1rio<\/a> do Instituto Nutes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Um roteiro que, segundo o historiador, come\u00e7a com uma fase da nega\u00e7\u00e3o, em que as pessoas seguem vivendo suas vidas como sempre, acreditando que a doen\u00e7a pertence a uma terra distante e n\u00e3o vai alcan\u00e7\u00e1-las; quando a peste se aproxima, acreditam que n\u00e3o ter\u00e1 for\u00e7a para fazer mal a ningu\u00e9m; e, quando come\u00e7a a matar, defendem que os sistemas de sa\u00fade ser\u00e3o suficientes para dar conta da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"infografico-desktop\">\n<!-- iframe plugin v.6.0 wordpress.org\/plugins\/iframe\/ -->\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.docelimao.com.br\/erick\/diario\/index.html\" frameborder=\"0\" height=\"650\" width=\"100%\" scrolling=\"yes\" class=\"iframe-class\"><\/iframe>\n<\/div>\n<div class=\"infografico-mobile\">\n<!-- iframe plugin v.6.0 wordpress.org\/plugins\/iframe\/ -->\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.docelimao.com.br\/erick\/diario\/index_mobile.html\" frameborder=\"0\" height=\"300\" width=\"100%\" scrolling=\"yes\" class=\"iframe-class\"><\/iframe>\n<\/div>\n<p>Como nota o narrador de <em>A Peste, <\/em>do romancista franco-argelino Albert Camus, \u201cos flagelos, na verdade, s\u00e3o uma coisa comum, mas \u00e9 dif\u00edcil acreditar neles quando se abatem sobre n\u00f3s. Houve no mundo tantas pestes quanto guerras. E contudo, as pestes, como as guerras, encontram sempre as pessoas igualmente desprevenidas\u201d.<\/p>\n<p>O mundo de 1918 vivia ambas, guerra e peste. Desde 1914, a Europa era devastada pela Grande Guerra \u2014 que ningu\u00e9m ainda chamava de Primeira, j\u00e1 que n\u00e3o dava para saber que haveria uma Segunda dali a tr\u00eas d\u00e9cadas. E foi para n\u00e3o minar o moral das suas tropas que os pa\u00edses envolvidos na guerra preferiram censurar todas as informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis sobre um surto de gripe que, na metade do ano, j\u00e1 come\u00e7ava a matar mais do que carabinas e canh\u00f5es. Coube \u00e0 Espanha, um pa\u00eds que n\u00e3o participava do conflito e, portanto, n\u00e3o tinha por que censurar informa\u00e7\u00f5es, divulgar as primeiras not\u00edcias sobre a epidemia de influenza, e somente por isso a enfermidade veio a ficar conhecida como gripe espanhola \u2014 outra vers\u00e3o afirma que o apelido teria sido inventado pela Inglaterra como uma retalia\u00e7\u00e3o pelo fato de uma parte do governo espanhol ter demonstrando simpatia pela Alemanha.<\/p>\n\n\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2020\/07\/Gazeta-influenza_1200x654.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; credit=&#8221;A Gazeta, 29\/10\/1918&#8243; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Manchete anuncia as mortes causadas pela pandemia&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p>Se a hist\u00f3ria fosse justa, a influenza espanhola deveria ter ficado conhecida como gripe americana, j\u00e1 que evid\u00eancias epidemiol\u00f3gicas apontam que a cepa do v\u00edrus que tomou o mundo naquele ano teve origem no estado do Kansas (EUA), onde se acredita que sofreu uma muta\u00e7\u00e3o a partir das cria\u00e7\u00f5es de porcos \u2014 ao menos, \u00e9 a hip\u00f3tese considerada mais prov\u00e1vel pelo jornalista e historiador americano John M. Barry, da Universidade de Tulane, que no livro <em>A Grande Gripe<\/em> contesta outras teorias, que apontam o ber\u00e7o da pandemia como sendo a China ou a Europa.<\/p>\n<p>Segundo essa hip\u00f3tese, os soldados americanos que deixaram sua terra natal para lutar a Grande Guerra, no in\u00edcio de 1918, davam abrigo em seu corpo, sem saber, a um inimigo muito pior do que aquele que se preparavam para enfrentar nas trincheiras. Em abril, o v\u00edrus j\u00e1 iniciava sua trajet\u00f3ria de destrui\u00e7\u00e3o pela Europa.<\/p>\n<h3><strong>A MORTE VEM DE NAVIO<\/strong><\/h3>\n<p>Epidemias sempre fizeram parte da hist\u00f3ria do Brasil, esse pa\u00eds onde at\u00e9 a Rep\u00fablica nasceu com o nariz escorrendo, proclamada por um marechal Deodoro da Fonseca gripado, v\u00edtima de um surto de influenza que atacou o Rio de Janeiro em 1889 e que deixou o militar e futuro primeiro presidente do Brasil t\u00e3o doente que precisou montar no cavalo mais manso que havia \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, para n\u00e3o cair da sela enquanto proclamava a queda do imp\u00e9rio de dom Pedro 2\u00ba \u2014 que, por sinal, tamb\u00e9m havia sido derrubado pela mesma gripe.<\/p>\n\n\n\n\n\n\n[aesop_quote  type=&#8221;pull&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;\u201cA gripe espanhola foi a pior de todas as epidemias da hist\u00f3ria de S\u00e3o Paulo&#8230;&#034;&#8221; cite=&#8221;Henrique Trindade Abreu,<br \/>\npesquisador do Museu da Imigra\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221;]\n<p>S\u00e3o Paulo n\u00e3o era diferente. Desde sua funda\u00e7\u00e3o, a cidade enfrentou tantas doen\u00e7as que costumava deixar entre viajantes a imagem de insalubre. \u201cS\u00e3o Paulo estava acostumada a enfrentar epidemias\u201d, relata o historiador Henrique Trindade Abreu, pesquisador do <a href=\"http:\/\/museudaimigracao.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Museu da Imigra\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo<\/a>. Uma das principais foi a var\u00edola, tamb\u00e9m chamada de bexiga, apelido com que chegou a batizar um dos mais conhecidos bairros paulistanos.<\/p>\n<p>Quase nada, por\u00e9m, se compara aos efeitos da pandemia de 1918. \u201cA gripe espanhola foi a pior de todas as epidemias da hist\u00f3ria de S\u00e3o Paulo, talvez s\u00f3 compar\u00e1vel \u00e0s epidemias que grassavam no s\u00e9culo 16 e dizimaram a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. O cotidiano da cidade se transformou radicalmente\u201d, compara Henrique.<\/p>\n<p>Antes mesmo de chegar ao Brasil, a doen\u00e7a j\u00e1 havia matado quase uma centena de brasileiros. Em setembro, quando o mundo sofria o ataque da primeira onda da influenza, o governo brasileiro enviou uma miss\u00e3o m\u00e9dico-militar para auxiliar no palco da guerra europeia. A miss\u00e3o fez escala em Dacar, no Senegal, onde acabou dizimada pela gripe. No Brasil se falou bastante sobre o destino daqueles m\u00e9dicos, mortos como her\u00f3is de guerra antes de chegar ao campo de batalha. A C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo aprovou um <a href=\"https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/iah\/fulltext\/documentoshistoricos\/REQL0223-1918.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">requerimento de pesar<\/a> pelo \u201cfunesto acontecimento\u201d para aquelas \u201cvidas preciosas ao servi\u00e7o da P\u00e1tria\u201d. Mas poucos acreditavam que a doen\u00e7a poderia fazer algo parecido por aqui.<\/p>\n<p>O H1N1 chegou ao Brasil em 14 de setembro, a bordo do navio a vapor <em>Demerara<\/em>, vindo de Liverpool, Inglaterra, e que passou por Lisboa, Recife (PE), Salvador (BA) e Rio de Janeiro, espalhando o v\u00edrus por todos os portos onde atracou. A devasta\u00e7\u00e3o da influenza espanhola no Rio, ent\u00e3o capital do Pa\u00eds, foi enorme, atingindo a marca das 14.348 mortes. Bastou um m\u00eas para a gripe subir a serra e chegar a S\u00e3o Paulo.<\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2020\/08\/caixoes_no_bonde_1200x820.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; credit=&#8221;Fon-Fon, 23\/11\/1918&#8243; align=&#8221;right&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Caix\u00f5es de v\u00edtimas da gripe sendo transportados de bonde&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p>Mas os paulistanos estavam tranquilos. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o Estado de S\u00e3o Paulo, interessado em atrair m\u00e3o de obra e capitais estrangeiros e afastar a m\u00e1 fama de insalubre, havia investido em melhoria das suas condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias, que conseguiram diminuir a ocorr\u00eancia de doen\u00e7as e a mortalidade da popula\u00e7\u00e3o. Em abril daquele ano, tinha aprovado um novo C\u00f3digo Sanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>A \u201cmetr\u00f3pole do caf\u00e9\u201d, a \u201ccapital do capital\u201d, que se via como um s\u00edmbolo do progresso brasileiro, confiava que saberia lidar com uma gripe.<\/p>\n<h3><strong>PAULICEIA ADOENTADA<\/strong><\/h3>\n<p>As primeiras men\u00e7\u00f5es \u00e0 enfermidade em terras paulistanas citam um time carioca de futebol amador. Vindos do Rio e hospedados no Hotel D\u2019Oeste, os atletas manifestaram sintomas da gripe em 9 de outubro. O primeiro caso oficial da pandemia acometeu uma estudante, que no dia 13 deu entrada no Hospital de Isolamento.<\/p>\n<p>Dois dias depois, as autoridades reconheceram que a cidade vivia um estado de epidemia e recomendaram o isolamento social. De in\u00edcio, muita gente n\u00e3o obedeceu. Os bares na regi\u00e3o do Largo da S\u00e9, por exemplo, ficaram mais cheios do que de costume nos primeiros dias. \u201cPinga com lim\u00e3o cura urucubaca\u201d, diziam os frequentadores.<\/p>\n<p>Logo a situa\u00e7\u00e3o mudou. Por conta pr\u00f3pria, escolas, bares e cinemas come\u00e7aram a fechar as portas. Em seguida, foi a vez das f\u00e1bricas e de boa parte do com\u00e9rcio. N\u00e3o foi necess\u00e1rio que o governo baixasse qualquer norma. A devasta\u00e7\u00e3o e o medo gerados pela doen\u00e7a eram tantos que muitos se recolhiam em casa, assustados, sem falar dos estabelecimentos que deixaram de abrir simplesmente porque os funcion\u00e1rios estavam todos doentes. \u201cN\u00e3o houve um lockdown ou um an\u00fancio para as pessoas ficarem em casa, mas a pr\u00f3pria doen\u00e7a fez as pessoas se recolherem. A quantidade de doentes que subia de um dia para o outro era terr\u00edvel\u201d, explica a historiadora Liane Maria Bertucci, professora da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) e autora do livro <em>Influenza, a medicina enferma<\/em>.<\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2020\/07\/piada_1080x1000.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; credit=&#8221;A Gazeta, 19\/10\/1918&#8243; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Em charge de Voltolino, empregada diz que n\u00e3o trabalha para espanholas&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n\n<p>As ruas ficaram desertas. Os poucos ve\u00edculos que circulavam eram autom\u00f3veis dirigidos por m\u00e9dicos, al\u00e9m de bondes, carro\u00e7as e caminh\u00f5es entulhados de cad\u00e1veres a caminho dos cemit\u00e9rios. \u201cEsta paisagem tornou-se rotina. J\u00e1 n\u00e3o se prestava aten\u00e7\u00e3o naqueles montes de caix\u00f5es de defuntos, todos iguais, uns sobre os outros nos caminh\u00f5es\u201d, descreve o memorialista Paulo Duarte, citado no livro de Claudio. \u201cPouqu\u00edssimas pessoas no bonde, quase todas cheirando alguma coisa, uns cheiravam \u00e1lcool mentolado ou canforado, outros \u00e1lcool puro, um cheirava at\u00e9 a boca de um vidrinho de tintura de iodo. Quase todos com o ar mais ou menos apavorado\u201d, prossegue o memorialista.<\/p>\n\n\n\n\n[aesop_quote  type=&#8221;pull&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;\u201cN\u00e3o houve um lockdown ou um an\u00fancio para as pessoas ficarem em casa, mas a pr\u00f3pria doen\u00e7a fez as pessoas se recolherem. A quantidade de doentes que subia de um dia para o outro era terr\u00edvel\u201d&#8221; cite=&#8221;Liane Maria Bertucci,<br \/>\nhistoriadora&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221;]\n<p>Fam\u00edlias inteiras morriam em casa. Uma not\u00edcia do jornal <em>O Combate<\/em>, de 23 de novembro, descreve a cena encontrada pela pol\u00edcia ao arrombar a casa de um casal de japoneses, numa casa pobre de Santana: homem e mulher jaziam mortos sobre a cama. A \u00fanica sobrevivente era a filha deles, de oito meses, \u201cdebru\u00e7ada sobre o cad\u00e1ver da m\u00e3e, sugando ambos os seios e a choramingar\u201d.<\/p>\n<p>O transporte p\u00fablico, feito por bondes e trens, reduziu quase toda a circula\u00e7\u00e3o, deixando sem op\u00e7\u00f5es os moradores dos bairros afastados. H\u00e1 relato de um enfermeiro que, mesmo adoecido com a espanhola, ap\u00f3s atender uma fam\u00edlia inteira vitimada pela doen\u00e7a na Vila Mariana, teve que andar a p\u00e9, com febre alta e cambaleando, at\u00e9 chegar a sua casa, em Alto de Santana, um percurso de quase 15 quil\u00f4metros.<\/p>\n<h3><strong>ASPIRINA COM LIM\u00c3O<\/strong><\/h3>\n<p>Para piorar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o, os jornais se enchiam de casos de morte e loucura atribu\u00eddos \u00e0 epidemia. Pai que se matava ao ver os filhos doentes, homem que engolia \u00e1cido sulf\u00farico pensando estar com a gripe, mulher gripada que matava o marido a facadas.<\/p>\n<p>Um dos casos mais rumorosos aconteceu em Indian\u00f3polis, envolvendo os Schonardt, uma fam\u00edlia alem\u00e3 que sobreviveu \u00e0 gripe, mas passou a acreditar que o patriarca, Ernst Schonardt, teria morrido da doen\u00e7a no Hospital Provis\u00f3rio do Clube Germ\u00e2nia (atual Clube Pinheiros) e que apenas o corpo dele \u00e9 que teria retornado, vazio da alma e possu\u00eddo pelo dem\u00f4nio. M\u00e3e e filho, ent\u00e3o, resolveram sufocar Ernst at\u00e9 a morte e depois cortar sua cabe\u00e7a enquanto cantavam louvores a Deus a noite toda sem parar. \u201cA gripe enlouqueceu uma fam\u00edlia inteira\u201d, bradou a manchete de <em>O Combate<\/em>. Os m\u00e9dicos da \u00e9poca endossavam esse discurso, afirmando que a gripe mudava a bioqu\u00edmica do c\u00e9rebro e podia levar a acessos de loucura.<\/p>\n\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2020\/07\/loucura-tragica_1030x1700.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; offset=&#8221;-300px&#8221; credit=&#8221;O Combate, 3\/12\/1918&#8243; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Os piores crimes eram atribu\u00eddos \u00e0 gripe espanhola&#8221; captionposition=&#8221;center&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n\n<p>Para o m\u00e9dico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, ex-secret\u00e1rio municipal de Sa\u00fade de S\u00e3o Paulo e ex-presidente da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), o mais prov\u00e1vel \u00e9 que essa viol\u00eancia tivesse rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o com o v\u00edrus da gripe, mas com a depress\u00e3o e o nervosismo provocados pelas mortes e pelo isolamento social. \u201cAs pessoas fechadas enfrentam depress\u00e3o, ficam menos contidas e qualquer coisa vira um disparador. Sem falar que a viol\u00eancia de g\u00eanero era algo muito mais dram\u00e1tico naquela \u00e9poca\u201d, afirma \u00e0 <strong>Apartes<\/strong>.<\/p>\n<p>Ao lado das not\u00edcias sangrentas e das estat\u00edsticas de mortos e contaminados, os jornais tamb\u00e9m mostravam a sanha de quem procurava lucrar com a epidemia. \u201cMais de 300 diferentes an\u00fancios divulgaram cerca de 112 drogas e mais de 18 produtos e procedimentos que se diziam \u2018preservativos\u2019 ou \u2018espec\u00edficos\u2019 para a gripe\u201d, conta Claudio. Muitos eram de rem\u00e9dios, com ou sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Uma propaganda da Bayer, por exemplo, celebrava \u201co enorme poder curativo\u201d da aspirina contra \u201ca Hespanhola\u201d e dizia que \u201ccombinado com o lim\u00e3o foi o rem\u00e9dio que maior n\u00famero de vidas salvou\u201d.<\/p>\n[aesop_quote  type=&#8221;pull&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;\u201cAs pessoas fechadas enfrentam depress\u00e3o, ficam menos contidas e qualquer coisa vira um disparador&#8230;&#034;&#8221; cite=&#8221;Gonzalo Vecina Neto,<br \/>\nm\u00e9dico sanitarista&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221;]\n<p>Lojas de ferragens e armaz\u00e9ns vendiam vassouras e desinfetantes como se deixar a casa limpa fosse \u201ca melhor medida preventiva contra a influenza espanhola\u201d. A doen\u00e7a era usada at\u00e9 para vender os servi\u00e7os de aluguel de um autom\u00f3vel Torpedo, \u201ct\u00e3o veloz que nem o v\u00edrus da gripe\u201d poderia alcan\u00e7\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Como hoje, apareciam servi\u00e7os para as pessoas que estavam isoladas em suas casas: cursos de correspond\u00eancia que ensinavam l\u00ednguas, m\u00fasica, t\u00e9cnicas comerciais. Uma das maiores lojas da cidade, a Mappin Stores, chegou a implantar uma esp\u00e9cie de antepassado do com\u00e9rcio on-line, promovendo a venda de produtos por telefone, a partir de um cat\u00e1logo fornecido aos clientes.<\/p>\n<h3><strong>CUIDADO COM O<br \/>\n\u201cCH\u00c1 DA MEIA-NOITE\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que ocorre hoje, os leitos hospitalares em 1918 registraram baixas taxas de ocupa\u00e7\u00e3o at\u00e9 nos piores momentos da doen\u00e7a: apenas 40% da capacidade hospitalar foi utilizada durante a crise, segundo o livro de Claudio. Alguns hospitais fecharam no auge da epidemia e outros nem chegaram a funcionar. E havia uma raz\u00e3o para isso. As pessoas simplesmente n\u00e3o queriam ir para os hospitais porque achavam que ali iriam morrer.<\/p>\n<p>\u201cCorriam boatos apavorantes a respeito deste hospital improvisado, onde \u2014 murmuravam \u2014 s\u00f3 se recebiam os pobres bem pobres e o tratamento era o que devia ser, porque pobre bem pobre n\u00e3o \u00e9 bem gente. De modo que nada apavorava tanto o povinho mi\u00fado como ir para a Imigra\u00e7\u00e3o.\u201d Esse trecho de um conto de Monteiro Lobato, <em>Fatia de vida<\/em>, refere-se ao Hospital da Imigra\u00e7\u00e3o, improvisado durante a \u201cGrande Gripe\u201d na Hospedaria dos Imigrantes, no bairro da Mooca. Mas o temor descrito no conto valia para todos.<\/p>\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2020\/08\/Hospital_02_1200x820.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; credit=&#8221;Fon-Fon, 23\/11\/1918&#8243; align=&#8221;left&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Hospital provis\u00f3rio do Col\u00e9gio Nossa Senhora do Sion, em Higien\u00f3polis&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n\n<p>Uma lenda urbana muito conhecida afirmava que a Santa Casa de Miseric\u00f3rdia costumava servir o famoso \u201cch\u00e1 da meia-noite\u201d, um veneno destinado a matar pacientes e liberar os leitos. Em tempos de gripe espanhola, o boato generalizou-se e o povo agora murmurava que o tal ch\u00e1 constaria do card\u00e1pio de todos os hospitais.<\/p>\n<p>O jornal <em>O Estado de S.Paulo<\/em> dizia em editorial que esse medo n\u00e3o passava de frescura de pobre: \u201cvelha e arraigada preven\u00e7\u00e3o do povo inculto contra os hospitais\u201d. O m\u00e9dico Gonzalo Vecina, contudo, reconhece que a rejei\u00e7\u00e3o era justificada. \u201cO hospital era um lugar onde os pobres iam para morrer. O pobre doente era retirado da sociedade para n\u00e3o atrapalhar o andamento da vida e colocado no hospital, onde iria esperar sua morte\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos s\u00f3 ofereciam tratamento para os pacientes ricos que visitavam. \u201cA medicina era uma atividade privada. Os m\u00e9dicos iam \u00e0s casas dos ricos e tratavam deles l\u00e1. At\u00e9 cirurgias oftalmol\u00f3gicas eram feitas em casa\u201d, explica Gonzalo.<\/p>\n<p>Segundo o ex-secret\u00e1rio, os hospitais s\u00f3 passaram a se tornar locais de tratamento, e n\u00e3o de morte, depois da Segunda Guerra Mundial, quando come\u00e7aram a concentrar tecnologias que nem os ricos encontrariam em suas casas, como a estrutura das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), criadas em 1966 e que chegaram ao Brasil nos anos 70. E o direito \u00e0 sa\u00fade para todos, inclusive os mais pobres, s\u00f3 seria estabelecido bem mais tarde, com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 e a cria\u00e7\u00e3o do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), \u201cparte de um movimento civilizat\u00f3rio que constr\u00f3i direitos para formar o estado de bem-social\u201d.<\/p>\n[aesop_quote  type=&#8221;pull&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;\u201cA medicina era uma atividade privada. Os m\u00e9dicos iam \u00e0s casas dos ricos e tratavam deles l\u00e1. At\u00e9 cirurgias oftalmol\u00f3gicas eram feitas em casa\u201d&#8221; cite=&#8221;GONZALO VECINA NETO,<br \/>\nM\u00c9DICO SANITARISTA&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221;]\n<p>A historiadora Liane relativiza um pouco a afirma\u00e7\u00e3o de Gonzalo: \u201cA ideia do hospital como local de morte foi muito difundida, mas outros estudos mostram que os hospitais ainda davam o m\u00ednimo de tratamento que as pessoas pobres podiam ter\u201d.<\/p>\n<p>Seja como for, em 1918 ningu\u00e9m pensava que os governos tinham a obriga\u00e7\u00e3o de tratar da sa\u00fade individual de algu\u00e9m. \u201cO papel dos governos era cuidar apenas das doen\u00e7as infectocontagiosas, que podiam prejudicar o sistema produtivo e a atividade econ\u00f4mica\u201d, explica Gonzalo.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que a medicina da \u00e9poca tinha pouco a oferecer para as v\u00edtimas. \u201cA gripe espanhola coloca o conhecimento m\u00e9dico em xeque\u201d, afirma Liane. Na \u00e9poca, como agora, n\u00e3o havia rem\u00e9dio, e tudo o que se podia fazer era combater os seus sintomas, das formas mais variadas. E bota variada nisso.<\/p>\n<h3><strong>PURGANTES, SANGRIAS<br \/>\nE VENENOS<\/strong><\/h3>\n<p>N\u00e3o eram apenas os b\u00eabados do Largo da S\u00e9 que acreditavam nos poderes curativos da pinga com lim\u00e3o: a receita tamb\u00e9m constava das recomenda\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas. O Instituto Brasileiro de Cacha\u00e7a afirma que uma das receitas usadas nesta \u00e9poca como rem\u00e9dio, uma mistura de pinga, lim\u00e3o, alho e mel, com o fim da pandemia teria perdido alho e mel e ganhado a\u00e7\u00facar, dando origem \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/bomgourmet\/produtos-ingredientes\/do-remedio-ao-drink-caipirinha-pode-estar-completando-100-anos-em-2018\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">caipirinha<\/a> \u2014 informa\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje nunca confirmada, mas tamb\u00e9m n\u00e3o desmentida, pelos historiadores.<\/p>\n<p>Segundo Claudio, as receitas para combater a gripe lembravam a medicina que se fazia antes de o cientista franc\u00eas Louis Pasteur descobrir a exist\u00eancia dos micr\u00f3bios, em 1861, e que se baseava em purgantes, sangrias e quinino \u2014 subst\u00e2ncia natural usada no combate \u00e0 mal\u00e1ria e que inspirou a cria\u00e7\u00e3o de vers\u00f5es sint\u00e9ticas, como a cloroquina e a hidroxicloroquina dos nossos dias.<\/p>\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2020\/07\/doutor-Peruche_1000x1080.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; credit=&#8221;A Capital, 6\/11\/1918&#8243; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Doutor Peruche dizia curar a gripe, mas contaminava pacientes com inje\u00e7\u00f5es de merc\u00fario&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p>Durante a gripe espanhola, tinha m\u00e9dico que recomendava fazer cortes no paciente e at\u00e9 deix\u00e1-lo derramar meio litro de sangue, uma t\u00e9cnica considerada ben\u00e9fica para doentes de qualquer idade. H\u00e1 relatos de que pessoas desmaiavam na rua durante a pandemia, n\u00e3o apenas por causa da doen\u00e7a, mas tamb\u00e9m pelos rem\u00e9dios: estavam intoxicadas de quinino ou enfraquecidos de tanta diarreia provocada pelos purgantes que tomavam.<\/p>\n<p>As recomenda\u00e7\u00f5es de sangrias e purgantes vinham dos m\u00e9dicos mais renomados da \u00e9poca, tudo gente que depois virou nome de pra\u00e7a e rua, como Luiz Pereira Barreto ou Vitor Godinho. E havia Francisco de Paula Peruche, que afirmava curar a espanhola com inje\u00e7\u00f5es de \u201c\u00f3leo cinzento\u201d, que n\u00e3o passavam de um misturado contendo 40% de merc\u00fario puro. O conhecimento cient\u00edfico atual sabe que as inje\u00e7\u00f5es n\u00e3o faziam nada al\u00e9m de intoxicar os rins, o f\u00edgado e o sistema nervoso central de seus pacientes, mas Peruche n\u00e3o destoava da medicina de sua \u00e9poca. \u201cO merc\u00fario foi usado durante muito tempo como medicamento, com consequ\u00eancias terr\u00edveis\u201d, confirma Gonzalo. O m\u00e9dico que envenenava seus pacientes sem saber \u00e9 hoje <a href=\"https:\/\/www.revistasampa.com.br\/colunas\/quem-e-voce-peruche\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">nome de bairro e de escola de samba<\/a>.<\/p>\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;right&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;Durante a gripe espanhola, tinha m\u00e9dico que recomendava fazer cortes no paciente e at\u00e9 deix\u00e1-lo derramar meio litro de sangue, uma t\u00e9cnica considerada ben\u00e9fica para doentes de qualquer idade.&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221;]\n<p>Por mais absurda que a medicina de 1918 pare\u00e7a aos olhos de hoje, Liane ressalta que a gripe continua a ser uma doen\u00e7a misteriosa e que a ci\u00eancia evoluiu pouco na busca de uma cura. \u201cHoje em dia a medicina provavelmente tem um arsenal melhor para combater os sintomas, mas ainda n\u00e3o tem um medicamento potente para curar ou diminuir o ciclo da gripe\u201d, aponta a historiadora.<\/p>\n<p>Por tudo isso, o escritor Paulo Duarte resumia assim sua experi\u00eancia de chegar vivo ao final de 1918: \u201cMas resisti a tudo, \u00e0 peste, aos m\u00e9dicos e aos medicamentos\u201d.<\/p>\n<h3><strong>A MORTE E OS POBRES<\/strong><\/h3>\n<p>O Servi\u00e7o Sanit\u00e1rio estadual da \u00e9poca chamava a gripe espanhola de \u201cceifadora de mo\u00e7os\u201d, mas os n\u00fameros levantados por Claudio revelam que a epidemia atingiu principalmente crian\u00e7as (40,75%) e adultos entre 20 e 44 anos (35,02%). E mostram que matou mais gente pobre.<\/p>\n<p>A epidemia atingiu de formas diferentes uma cidade que era, ela pr\u00f3pria, j\u00e1 bastante desigual. Nos distritos de S\u00e9 e Consola\u00e7\u00e3o, lar da burguesia e da classe m\u00e9dia que viviam em mans\u00f5es, sobrados e edif\u00edcios administrativos, foi registrada a menor taxa de \u00f3bitos pela influenza espanhola: 6,12 por 1.000 habitantes. Numa regi\u00e3o intermedi\u00e1ria, que reunia tanto sobrados e chal\u00e9s da classe m\u00e9dia quanto corti\u00e7os para o proletariado, nos bairros de Bela Vista, Liberdade, Santa Cec\u00edlia e Santa Ifig\u00eania, a taxa foi um pouco maior: 7,73 mortos por 1.000 habitantes.<\/p>\n<p>Mas havia uma outra S\u00e3o Paulo, a periferia, que na \u00e9poca se situava em Belenzinho, Bom Retiro, Br\u00e1s e Mooca, \u201ca cidade suja e infecta do operariado e dos marginais, dos imigrantes e dos negros, em tudo nega\u00e7\u00e3o da urbe civilizada e higi\u00eanica, progressista e esbelta\u201d, nas palavras de Claudio. Naquela regi\u00e3o, povoada por corti\u00e7os sem luz nem pavimenta\u00e7\u00e3o e por algumas vilas oper\u00e1rias, a cada 1.000 moradores, 12,35 morreram de gripe.<\/p>\n\n\n\n\n\n\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2020\/08\/caixoes_da_prefeitura_1200x820.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; credit=&#8221;Fon-Fon, 23\/11\/1918&#8243; align=&#8221;right&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Dep\u00f3sito de caix\u00f5es da Prefeitura de S\u00e3o Paulo&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p>\u201cAs popula\u00e7\u00f5es mais pobres moravam em casas que tinham muitas pessoas amontoadas. Indiretamente, isso ajudou a espalhar mais o v\u00edrus entre elas\u201d, diz Liane. E Claudio resume: \u201cA pandemia n\u00e3o \u00e9 democr\u00e1tica. As pessoas t\u00eam condi\u00e7\u00f5es diferentes de adoecer, de se tratar e de morrer\u201d.<\/p>\n<p>Assim, enquanto os moradores endinheirados da Avenida Paulista e da Consola\u00e7\u00e3o reclamavam da falta de empregados, que n\u00e3o tinham sa\u00fade ou bondes para ir ao trabalho, nos bairros pobres a preocupa\u00e7\u00e3o era com a falta de acesso a rem\u00e9dios e comida. Os pre\u00e7os dos alimentos eram tabelados pelo Comissariado de Alimenta\u00e7\u00e3o e, no caso dos pre\u00e7os das medica\u00e7\u00f5es, as farm\u00e1cias haviam feito um acordo com o Servi\u00e7o Sanit\u00e1rio para n\u00e3o aumentar os pre\u00e7os. Nem tabelamento nem acordo foram respeitados pelos comerciantes, que aumentavam os pre\u00e7os sem parar.<\/p>\n[aesop_quote  type=&#8221;pull&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;\u201cA pandemia n\u00e3o \u00e9 democr\u00e1tica. As pessoas t\u00eam condi\u00e7\u00f5es diferentes de adoecer, de se tratar e de morrer\u201d&#8221; cite=&#8221;CLAUDIO BERTOLLI FILHO,<br \/>\nHISTORIADOR&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221;]\n<p>Em um <a href=\"https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/iah\/fulltext\/documentoshistoricos\/OF0083-1918.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">of\u00edcio<\/a> apresentado \u00e0 C\u00e2mara Municipal, ao final da pandemia, o prefeito afirma que havia descartado o risco de fome no per\u00edodo. Baseado no c\u00e1lculo de um engenheiro que levava em conta o n\u00famero de alimentos dispon\u00edveis e as necessidades cal\u00f3ricas de cada indiv\u00edduo, concluiu, em fins de outubro, que S\u00e3o Paulo ainda teria comida dispon\u00edvel para toda a popula\u00e7\u00e3o por, no m\u00ednimo, tr\u00eas meses. O prefeito s\u00f3 n\u00e3o previu que, com o aumento dos pre\u00e7os, muitos paulistanos n\u00e3o teriam dinheiro para comprar alimentos, e que, com o adoecimento de propriet\u00e1rios e funcion\u00e1rios, muitos com\u00e9rcios de alimentos simplesmente fechariam por n\u00e3o ter quem pudesse mant\u00ea-los abertos.<\/p>\n<p>Os relatos sobre pessoas que desmaiavam nas ruas continuavam, e agora n\u00e3o s\u00f3 pela gripe ou pelo excesso de quinino: muitos estavam desmaiando de fome. Em vez de desfalecer, parte dos famintos passou a organizar saques a leiteiros, padeiros e casas de com\u00e9rcio.<\/p>\n\n\n<p>Guerra, peste, morte e, agora, tamb\u00e9m a fome: os quatro cavaleiros do Apocalipse tomavam conta da cidade e j\u00e1 havia quem escrevesse nos jornais falando em \u201cpren\u00fancios do Ju\u00edzo Final\u201d. S\u00e3o Paulo, a \u201ccapital do capital\u201d, estava perdendo a guerra para a espanhola.<\/p>\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n[aesop_parallax  height=&#8221;500px&#8221; img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2020\/07\/quatro_cavaleiros.jpg&#8221; parallaxbg=&#8221;fixed&#8221; parallaxspeed=&#8221;6&#8243; caption=&#8221;Os quatro cavaleiros do Apocalipse. 1498. Albrecht D\u00fcrer &#8221; captionposition=&#8221;bottom-left&#8221; lightbox=&#8221;off&#8221; floater=&#8221;off&#8221; floatermedia=&#8221;<br \/>\n&#8221; floaterposition=&#8221;left&#8221; floaterdirection=&#8221;none&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<h3><strong>DA PREPOT\u00caNCIA<br \/>\nPARA A IMPOT\u00caNCIA<\/strong><\/h3>\n<p>Na linha de frente contra a pandemia em S\u00e3o Paulo estava o Servi\u00e7o Sanit\u00e1rio do governo estadual, comandado por Artur Neiva, disc\u00edpulo do sanitarista Oswaldo Cruz. Ao decretar o estado de epidemia na cidade, em 15 de outubro, o m\u00e9dico minimizou os riscos da gripe: \u201cO alarme tem sido infundado, porque a mol\u00e9stia, apesar de sua grande contagiosidade, tem reinado com car\u00e1ter muito benigno\u201d.<\/p>\n<p>Neiva repetiu as mesmas medidas que havia adotado contra outras epidemias, como de mal\u00e1ria e febre tifoide, e recomendou basicamente isolar os doentes, desinfetar suas casas e intensificar a vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica. Os servi\u00e7os de sa\u00fade tamb\u00e9m recomendavam o fim dos beijos e abra\u00e7os, e que as pessoas se cumprimentassem com contin\u00eancias, para evitar os perigos dos apertos de m\u00e3os. Nos dias seguintes, continuou a garantir que tudo estava sob controle. \u201cO povo deve revestir-se de toda a calma, confiando nas medidas j\u00e1 postas em execu\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou em 22 de outubro.<\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2020\/08\/hospedaria_1200x840.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; credit=&#8221;Acervo Museu da Imigra\u00e7\u00e3o\/APESP&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Pavilh\u00f5es do Hospital da Hospedaria dos Imigrantes&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p>O Servi\u00e7o Sanit\u00e1rio culpava os pobres pelas suas pr\u00f3prias mortes, afirmando que \u201co maior n\u00famero de \u00f3bitos se deve atribuir ao abuso dos oper\u00e1rios que, embora sentindo-se enfermos, insistem em continuar no trabalho e s\u00f3 o abandonam quando a evolu\u00e7\u00e3o da mol\u00e9stia j\u00e1 vai muito adiantada\u201d.<\/p>\n<p>Em 19 de outubro, a C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo se <a href=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/static\/atas_anais_cmsp\/anadig\/Sessoes\/Ordinarias\/036SO1918.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">voltou para o tema<\/a>, discutindo um projeto de lei do vereador Jos\u00e9 Piedade, que autorizava a Prefeitura a criar postos m\u00e9dicos para os gripados, que acabou arquivado. Uma semana depois, no dia 26, os vereadores preferiram delegar o combate \u00e0 epidemia, ao aprovar uma <a href=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/iah\/fulltext\/resolucoes\/R0131-1918.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">resolu\u00e7\u00e3o<\/a> que autorizava o prefeito Washington Luiz \u201ca tomar todas as provid\u00eancias necess\u00e1rias \u00e0 assist\u00eancia p\u00fablica, relativamente \u00e0 pandemia reinante\u201d.<\/p>\n<p>Com essa medida, a C\u00e2mara se ausentou das a\u00e7\u00f5es contra a epidemia, assim como muitos de seus vereadores, que preferiram deixar a cidade no per\u00edodo. \u201cO papel desempenhado pela verean\u00e7a paulistana durante a crise sanit\u00e1ria de 1918 foi praticamente nulo\u201d, afirma o livro de Claudio, destacando que \u201ca popula\u00e7\u00e3o paulistana n\u00e3o pode contar com seus vereadores, que, deixando suas fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, assumiram o papel das v\u00edtimas da peste\u201d. O livro de Liane vai na mesma dire\u00e7\u00e3o: \u201cA C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo praticamente nada fez durante a epidemia de gripe espanhola\u201d.<\/p>\n<p>Com os poderes recebidos pela CMSP, Washington Luiz abriu uma linha de verba especial para utilizar no socorro da popula\u00e7\u00e3o enferma e necessitada. Gastou um ter\u00e7o dessa verba na limpeza p\u00fablica, especialmente nos bairros ricos de S\u00e9 e Consola\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o ac\u00famulo de lixo nas ruas era considerado um risco para a infec\u00e7\u00e3o gripal. O restante do dinheiro foi gasto nos servi\u00e7os dos cemit\u00e9rios, para garantir que os paulistanos continuassem a ser sepultados durante a epidemia, como mostra o <a href=\"https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/iah\/fulltext\/documentoshistoricos\/OF0083-1918.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">of\u00edcio<\/a> enviado \u00e0 CMSP em que prestou contas da sua atua\u00e7\u00e3o aos vereadores.<\/p>\n\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;right&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;Com os poderes recebidos pela CMSP, Washington Luiz abriu uma linha de verba especial para utilizar no socorro da popula\u00e7\u00e3o enferma e necessitada.&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221;]\n<p>Como a Casa Rodovalho, empresa respons\u00e1vel pelo servi\u00e7o funer\u00e1rio da capital, logo declarou que n\u00e3o conseguiria mais dar conta da demanda de mortos, a Prefeitura assumiu a compra de caix\u00f5es. Um dos fornecedores foi o Liceu de Artes e Of\u00edcios, dirigido pelo arquiteto Ramos de Azevedo, cujo escrit\u00f3rio projetou o <a href=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/o-grande-palco-da-capital-theatro-municipal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Theatro Municipal<\/a>, que trocou temporariamente a confec\u00e7\u00e3o de m\u00f3veis pela fabrica\u00e7\u00e3o dos esquifes.<\/p>\n<p>O prefeito suspendeu os enterros de luxo e adaptou caminh\u00f5es para levar v\u00e1rios corpos de uma vez. Como estava dif\u00edcil encontrar coveiros, mesmo aumentando os sal\u00e1rios da fun\u00e7\u00e3o, apelou para deslocar funcion\u00e1rios de outros setores e receber oper\u00e1rios cedidos por empresas. Um grande teatro na Avenida Brigadeiro Lu\u00eds Ant\u00f4nio, o Palace Theatre, foi transformado em necrot\u00e9rio, ponto de partida para centenas de enterros. Os cemit\u00e9rios do Ara\u00e7\u00e1, Consola\u00e7\u00e3o e Br\u00e1s ganharam ilumina\u00e7\u00e3o el\u00e9trica para poder sepultar \u00e0 noite os corpos que n\u00e3o paravam de chegar.<\/p>\n<p>As pessoas foram proibidas de entrar nos cemit\u00e9rios se n\u00e3o fossem acompanhar um sepultamento, inclusive em 2 de novembro, Dia de Finados. A Prefeitura proibiu coroas f\u00fanebres para deixar mais espa\u00e7o nos ve\u00edculos que transportavam os mortos para os cemit\u00e9rios municipais, com mais de dez numa \u00fanica viagem. Os mortos eram enterrados muitas vezes sozinhos, longe dos parentes, e em valas comuns. Quando encontrava um cad\u00e1ver que esperava h\u00e1 muito tempo, mas n\u00e3o tinha mais lugar no carro, o servi\u00e7o funer\u00e1rio fazia um acordo com os parentes e deixava com a fam\u00edlia um cad\u00e1ver mais recente para poder levar o outro.<\/p>\n<p>No final do of\u00edcio em que faz um balan\u00e7o da sua atua\u00e7\u00e3o, o prefeito Washington Luiz parece reconhecer como foi pouco o que conseguiu fazer em tempos de peste. \u201cEm melhores m\u00e3os, mais prontas, mais eficazes, mais inteligentes teriam sido as provid\u00eancias postas em pr\u00e1tica. A cidade de S.Paulo tem que se contentar com o Prefeito que escolheu\u201d, lamentou. O reconhecimento da pr\u00f3pria incapacidade, contudo, n\u00e3o o impediria de continuar na pol\u00edtica e, em 1926, <a href=\"http:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/revista-apartes\/numero-12-jan-fev2015\/rei-da-fuzarca-e-dos-votos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ser eleito presidente da Rep\u00fablica<\/a>.<\/p>\n<h3><strong>MUDAN\u00c7A DE POSTURA<\/strong><\/h3>\n<p>Com os mortos enchendo os caminh\u00f5es em S\u00e3o Paulo, a popula\u00e7\u00e3o passou a exigir do Servi\u00e7o Sanit\u00e1rio rem\u00e9dios mais efetivos para combater a gripe. Mas Artur Neiva n\u00e3o tinha nada a fazer al\u00e9m de recomendar uso do que estava ao alcance da medicina da \u00e9poca: purgantes, quinino, aspirinas, ch\u00e1 de canela.<\/p>\n<p>O governo mudou de postura em 28 de outubro, quando o n\u00famero de gripados j\u00e1 passava dos 30 mil. Reconhecendo que o poder p\u00fablico n\u00e3o tinha como dar conta da situa\u00e7\u00e3o, Neiva apelou \u00e0 \u201cfilantropia humana\u201d e a \u201ctodas as iniciativas que os particulares possam tomar\u201d. Mudou totalmente a pol\u00edtica de isolamento dos doentes em casa, passando a determinar que os pacientes fossem hospitalizados. Dali a poucos dias, em 10 de novembro, tanto Neiva como o prefeito Washington Luiz ca\u00edram doentes pela gripe, abandonando temporariamente suas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, a sociedade civil entrou em cena no socorro \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, deixando o poder p\u00fablico no papel de coordenador dos esfor\u00e7os. Diversas entidades passaram a trabalhar para atender popula\u00e7\u00e3o. Hospitais provis\u00f3rios foram instalados nas sedes do Palestra It\u00e1lia (atual Palmeiras), no col\u00e9gio (hoje universidade) Mackenzie, na Hospedaria dos Imigrantes, entre outros. Hospitais voltados para os pobres, que fique claro: rico continuava a receber m\u00e9dico em casa.<\/p>\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2020\/08\/Hospital_03_liga_nacionalista_1200x700.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; credit=&#8221;Fon-Fon, 16\/11\/1918&#8243; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Hospital de campanha improvisado da Liga Nacionalista&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p>Os jornais <em>O Estado de S.Paulo<\/em> e <em>Fanfulla<\/em>, da col\u00f4nia italiana, fizeram campanhas de doa\u00e7\u00f5es. Grupos como Cruz Vermelha Brasileira, Uni\u00e3o dos Pastores Evang\u00e9licos, Liga Nacionalista, os confrades vicentinos da Igreja Cat\u00f3lica, lojas ma\u00e7\u00f4nicas, Associa\u00e7\u00e3o Comercial, al\u00e9m de pequenas empresas e fam\u00edlias oper\u00e1rias, participaram da cria\u00e7\u00e3o de hospitais e postos de socorros improvisados, al\u00e9m de fornecer, alimentos, roupas e rem\u00e9dios para os mais pobres. O Corinthians tamb\u00e9m participou da mobiliza\u00e7\u00e3o com doa\u00e7\u00f5es para a Cruz Vermelha.<\/p>\n<p>Um dos desafios abra\u00e7ados por governo, institui\u00e7\u00f5es e jornais foi o de convencer os pobres a aceitar a ir para os hospitais, de fama t\u00e3o ruim. \u201cConven\u00e7am-se o povo de que nos hospitais os enfermos ser\u00e3o mais bem tratados do que em casa, porque l\u00e1 n\u00e3o lhe faltar\u00e3o m\u00e9dicos, enfermeiros, rem\u00e9dios e alimentos, sem falar no asseio e na abund\u00e2ncia de ar e de luz que n\u00e3o pode haver nos lares pobres\u201d, proclamava <em>O Combate<\/em> na primeira p\u00e1gina, junto a uma foto de \u201cum hospital de gripados\u201d limpo e organizado.<\/p>\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#000000&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;right&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;Um dos desafios abra\u00e7ados por governo, institui\u00e7\u00f5es e jornais foi o de convencer os pobres a aceitar a ir para os hospitais, de fama t\u00e3o ruim.&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221;]\n<p>Os m\u00e9dicos se integravam aos hospitais e postos de socorros improvisados que iam sendo criados, onde se formavam imensas filas em busca de atendimento. O desespero da popula\u00e7\u00e3o por profissionais de sa\u00fade era tanto que um cl\u00ednico, no Br\u00e1s, foi abordado por um homem armado que obrigou o m\u00e9dico, sob a mira de um rev\u00f3lver, a atender os seus parentes adoecidos.<\/p>\n<p>\u201cNo contexto da doen\u00e7a e da escassez, a solidariedade humana triunfava. O essencial era a luta pela vida e o respeito pelos mortos. Fazia-se de tudo para que cada um dispusesse de assist\u00eancia m\u00e9dica, rem\u00e9dios e alimenta\u00e7\u00e3o, elementos essenciais para a sobreviv\u00eancia do munic\u00edpio pestilento\u201d, afirma Claudio.<\/p>\n<h3><strong>E O MUNDO N\u00c3O SE ACABOU<\/strong><\/h3>\n<p>Assim como veio, a gripe espanhola se foi. No come\u00e7o, os paulistanos nem acreditaram quando as mortes come\u00e7aram a cair, desconfiando de que o governo estivesse maquiando n\u00fameros e escondendo mortos. A Grande Guerra tamb\u00e9m chegou ao fim, em 11 de novembro, mas poucos tiveram coragem ou \u00e2nimo de sair \u00e0s ruas para comemorar.<\/p>\n[aesop_quote  type=&#8221;pull&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;\u201cNo contexto da doen\u00e7a e da escassez, a solidariedade humana triunfava. O essencial era a luta pela vida e o respeito pelos mortos. Fazia-se de tudo para que cada um dispusesse de assist\u00eancia m\u00e9dica, rem\u00e9dios e alimenta\u00e7\u00e3o, elementos essenciais para a sobreviv\u00eancia do munic\u00edpio pestilento\u201d&#8221; cite=&#8221;CLAUDIO BERTOLLI FILHO,<br \/>\nHISTORIADOR&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221;]\n<p>Aos poucos, a cidade foi se convencendo de que a peste e guerra haviam ido embora. Ainda que fome e morte continuassem por ali, parecia que o Apocalipse havia sido adiado e n\u00e3o seria dessa vez que o mundo iria acabar. Cinemas, bares, teatros e cassinos voltaram a funcionar a partir de 1\u00ba de dezembro. No dia 19, o Servi\u00e7o Sanit\u00e1rio decretou oficialmente o fim da epidemia.<\/p>\n<p>Todos os estudantes passaram automaticamente de ano, por ordem do Senado Federal. Os jornais agora anunciavam produtos para os que se recuperavam da gripe, de rem\u00e9dios \u2014 os mesmos que antes eram anunciados para tratar a doen\u00e7a \u2014 a estadia em hot\u00e9is do Guaruj\u00e1, sem falar em aulas de franc\u00eas para restabelecer os c\u00e9rebros abalados pela gripe.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve vacina ou qualquer outra descoberta da ci\u00eancia que desse conta do v\u00edrus. A gripe simplesmente parou de matar, e n\u00e3o por causa de qualquer esfor\u00e7o humano. Uma das explica\u00e7\u00f5es mais aceitas para o fim da epidemia, segundo Gonzalo, \u00e9 a da imunidade de rebanho: tantas pessoas foram contaminadas por aquela cepa do H1N1 em todo o mundo que desenvolveram anticorpos e o v\u00edrus passou a ter dificuldade de encontrar pessoas desprotegidas para continuar a se propagar. \u201cA gripe atingiu em torno de 70% das pessoas, nos grandes centros urbanos, e parou de se propagar antes de ir para o interior, porque na \u00e9poca n\u00e3o havia a mesma mobilidade e porque fora das grandes cidades havia pouca densidade demogr\u00e1fica, diminuindo as chances de prolifera\u00e7\u00e3o do v\u00edrus\u201d, explica.<\/p>\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2020\/08\/indigentes_1200x890.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; credit=&#8221;A Gazeta, 21\/11\/1918&#8243; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; caption=&#8221;Caminh\u00e3o que distribu\u00eda comida a moradores do Pari&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;inplace&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p>Principais v\u00edtimas da gripe espanhola, os pobres tamb\u00e9m sofreram as piores consequ\u00eancias do fim da epidemia. N\u00e3o receberam sal\u00e1rios pelos dias parados e, em muitos casos, nem pelos trabalhados. Ap\u00f3s o fim da epidemia, os pre\u00e7os dos alugu\u00e9is subiram, os dos alimentos tamb\u00e9m, e patr\u00f5es ainda romperam acordos feitos dois anos antes com os trabalhadores, ap\u00f3s a greve geral de 1917. A situa\u00e7\u00e3o levaria a novas greves ao longo de 1919.<\/p>\n<p>Passada a gripe, todos trataram de esquec\u00ea-la: pol\u00edticos, m\u00e9dicos, pesquisadores, pessoas comuns. Seja por causa do trauma que provocou, seja porque parte das mortes acabou atribu\u00edda \u00e0s condi\u00e7\u00f5es da Primeira Grande Guerra, ou porque nas d\u00e9cadas seguintes o mundo encontrou outros problemas com que se preocupar, como a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, e a eclos\u00e3o da Segunda Guerra Mundial, em 1939, o fato \u00e9 que a lembran\u00e7a da gripe espanhola foi desaparecendo. \u201cA epidemia foi sumindo da mem\u00f3ria social e familiar\u201d, afirma Liane. Em seu livro, a historiadora observa que sabemos mais sobre a peste negra da Idade M\u00e9dia do que sobre a pandemia de um s\u00e9culo atr\u00e1s.<\/p>\n<p>A redescoberta da gripe de 1918 ocorreu principalmente neste s\u00e9culo, no momento em que a humanidade passa a ser alvo de outras epidemias semelhantes, como a gripe su\u00edna de 2009, provocada por uma variante do mesmo H1N1 que gerou a espanhola, e a atual pandemia de coronav\u00edrus. Os flagelos que sempre encontram os seres humanos desprevenidos, como dizia Camus.<\/p>\n<p>Mas do que ningu\u00e9m nunca mais se esqueceu foi do carnaval de 1919. Naquele mar\u00e7o, os sobreviventes do ano anterior se jogaram na brincadeira com uma f\u00faria pela festa e uma gana de quem tinha muito a descontar e a celebrar. H\u00e1 quem diga que o samba <em>E o mundo n\u00e3o se acabou<\/em>, de Assis Brasil, gravado em 1938, em que uma personagem resolve aproveitar o clima de fim dos tempos para beijar na boca de quem n\u00e3o devia e pegar na m\u00e3o de quem n\u00e3o conhecia, seja uma refer\u00eancia ao clima de permissividade vivido naquele ano.<\/p>\n<p>E, ainda que o Carnaval paulistano de 1919 provavelmente n\u00e3o tenha sido t\u00e3o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2020\/05\/apos-a-gripe-espanhola-rio-teve-o-maior-carnaval-de-todos-como-revanche.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">animado como o do Rio de Janeiro<\/a>, cantado por escritores e memorialistas, mesmo assim se mostrou, nas palavras de um cronista de <em>O Estado de S.Paulo<\/em>, \u201co mais expansivo, o mais vibrante e o mais pitoresco espet\u00e1culo que em S\u00e3o Paulo se tem visto\u201d, celebrando tudo o passou. Porque, sim, um dia chega em que tudo passa.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #8f3523\"><strong>SAIBA MAIS<\/strong><\/span><\/h3>\n\n<h5 style=\"background-color: #b9d3c2;text-align: center\"><span style=\"color: #ffffff\"><strong>Livros<\/strong><\/span><\/h5>\n<p>Barry, John M. <strong><em>A grande gripe<\/em><\/strong>. Intr\u00ednseca, 2020<br \/>\nBertolli Filho, Claudio. <em><strong>A Gripe Espanhola em S\u00e3o Paulo, 1918<\/strong>. <\/em>Paz e Terra, 2003<br \/>\nBertucci, Liane Maria. <strong><em>Influenza, a medicina enferma<\/em><\/strong>. Editora do Unicamp, 2004<br \/>\nLobato, Monteiro. <em><strong>Negrinha<\/strong>. <\/em>V\u00e1rias editoras<br \/>\nSevcenko, Nicolau. <em><strong>Orfeu Ext\u00e1tico na Metr\u00f3pole &#8211; S\u00e3o Paulo nos Frementes Anos 20<\/strong>. <\/em>Companhia das Letras, 1992<\/p>\n<h5 style=\"background-color: #b9d3c2;text-align: center\"><span style=\"color: #ffffff\"><strong>Podcasts<\/strong><\/span><\/h5>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/podcast\/o-que-aprendemos-com-pandemia-de-gripe-espanhola-24339653\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>O que aprendemos com a gripe espanhola?<\/strong><\/a> \u2013 Ao Ponto O Globo<\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/brasil.estadao.com.br\/blogs\/estadao-podcasts\/como-brasil-enfrentou-a-gripe-espanhola-qual-era-a-cloroquina-da-epoca-ouca-no-estadao-noticias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Como Brasil enfrentou a gripe espanhola? Qual era a \u2018cloroquina\u2019 da \u00e9poca?<\/strong><\/a> &#8211; Estad\u00e3o Not\u00edcias<\/li>\n<\/ul>\n<h5 style=\"background-color: #b9d3c2;text-align: center\"><span style=\"color: #ffffff\"><strong>V\u00eddeos<\/strong><\/span><\/h5>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=O1X3n2taO8o\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Gripe espanhola: gripezinha ou filme de terror?<\/strong><\/a> \u2013 TV Senado<\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=cll0K5JWtZQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Epidemias no Brasil: como o Pa\u00eds lidou com a febre amarela e a gripe espanhola<\/strong><\/a> \u2013 Canal USP<\/li>\n<\/ul>\n<p><!-- N\u00e3o remover abaixo. 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