{"id":98465,"date":"2023-03-02T11:12:36","date_gmt":"2023-03-02T14:12:36","guid":{"rendered":"https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/?p=98465"},"modified":"2023-03-02T11:12:36","modified_gmt":"2023-03-02T14:12:36","slug":"as-muitas-caras-de-carolina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/as-muitas-caras-de-carolina\/","title":{"rendered":"As muitas caras de Carolina"},"content":{"rendered":"<span class=\"span-reading-time rt-reading-time\" style=\"display: block;\"><span class=\"rt-label rt-prefix\">Tempo estimado de leitura: <\/span> <span class=\"rt-time\"> 16<\/span> <span class=\"rt-label rt-postfix\">minutos<\/span><\/span><p>Texto: Fausto Salvadori | <u><a href=\"mailto:fausto@saopaulo.sp.leg.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fausto@saopaulo.sp.leg.br<\/a><\/u><\/p>\n<p>A reda\u00e7\u00e3o do jornal <em>Folha da Manh\u00e3<\/em>, um dos antecessores da <em>Folha de S.Paulo<\/em>, ficou em sil\u00eancio quando anunciaram que \u201cuma poetisa\u201d estava ali para mostrar seus versos \u00e0 equipe, em pleno plant\u00e3o de s\u00e1bado, 24 de fevereiro de 1940. Ningu\u00e9m se ofereceu para receb\u00ea-la. \u00c9 que os jornalistas ali odiavam \u201cmulheres metidas a literatas\u201d.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio da reda\u00e7\u00e3o, com um sorriso malicioso, empurrou a tarefa ingrata para o rep\u00f3rter Willy Aureli, acostumado a escrever sobre \u201cfatos disparatados\u201d. E l\u00e1 foi o jornalista lidar com aquele \u201ccaso ex\u00f3tico\u201d, que acabava de entrar na reda\u00e7\u00e3o com um caderno embaixo do bra\u00e7o: uma mulher negra que fazia literatura.<\/p>\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/02\/Carolina_Maria_de_Jesus_assinando_livro_quarto_de_despejo_autografo_2_Correio_da_Manha.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; credit=&#8221;A escritora autografa seu livro Quarto de despejo | Cr\u00e9dito: Correio da Manh\u00e3\/Arquivo Nacional&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p>Na reportagem publicada pela <em>Folha<\/em>, no dia seguinte, Willy n\u00e3o se preocupava em disfar\u00e7ar o pr\u00f3prio racismo, nem a m\u00e1 vontade com que encarou a situa\u00e7\u00e3o. Fez quest\u00e3o de escrever que a jovem era \u201cum belo esp\u00e9cime de mulher negra\u201d, dona de um bonito sorriso, que comparou a \u201cum tra\u00e7o claro numa noite escura\u201d e a \u201cum raio de luz em tamanhas trevas\u201d \u2014 sim, ele escrevia desse jeito.<\/p>\n<p>Ouviu-a contar que se chamava Carolina Maria de Jesus, tinha 26 anos, era natural de Sacramento, Minas Gerais, e que, vivendo em S\u00e3o Paulo, batalhava para ser reconhecida como escritora, mas ningu\u00e9m a levava a s\u00e9rio: \u201cAndo pelas reda\u00e7\u00f5es, e quando sabem que sou preta, mandam dizer que n\u00e3o est\u00e3o\u201d. Durante a conversa, Willy gostou que Carolina falava com franqueza e tranquilidade, sem \u201ca menor fanfarronice ou gabolice, t\u00e3o pr\u00f3prias dos negros pern\u00f3sticos\u201d, mas continuava incomodado por ter de falar com ela tendo mais o que fazer da vida naquele s\u00e1bado.<\/p>\n<p>A ironia do rep\u00f3rter desapareceu, contudo, ao ver os poemas de Carolina. Achou \u201ctudo muito simples, muito puro, sincero\u201d, uma literatura de \u201cfala direta ao cora\u00e7\u00e3o dos humildes\u201d. Resolveu publicar na \u00edntegra, dentro da reportagem, o poema <em>O colono e o fazendeiro<\/em>, em que Carolina usava quadras de rimas alternadas para denunciar a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores rurais (<em>\u201cDiz o brasileiro\/ que acabou a escravid\u00e3o\/ mas o colono sua o ano inteiro\/ e nunca tem um tost\u00e3o!\u201d<\/em>). Ao final do texto, j\u00e1 sem qualquer tra\u00e7o de ironia ou m\u00e1 vontade, o rep\u00f3rter previa: \u201c\u00c9 poss\u00edvel que ainda se torne c\u00e9lebre\u201d.<\/p>\n<p>A profecia contida no final daquela reportagem, a primeira publicada sobre Carolina Maria de Jesus, seria cumprida vinte anos depois, em 1960, quando a autora, aos 46 anos, conseguiu publicar seu primeiro livro, <em>Quarto de despejo: di\u00e1rio de uma favelada<\/em>, em que conta seu cotidiano de catadora de papel, m\u00e3e solo de tr\u00eas crian\u00e7as e moradora da favela do Canind\u00e9 \u2014 que existia na regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo antes da constru\u00e7\u00e3o da Marginal Tiet\u00ea.<\/p>\n\n\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/02\/Carolina_Maria_de_Jesus_livro_Quarto_de_Despejo_Aviao_Air_France.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; credit=&#8221;Fotografada antes de embarcar em avi\u00e3o da Air France | Cr\u00e9dito: Correio da Manh\u00e3\/Arquivo Nacional&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p>S<span style=\"font-size: 1em\">ucesso instant\u00e2neo. A primeira edi\u00e7\u00e3o, de 10 mil exemplares, esgotou-se na semana de lan\u00e7amento. A autora do dia para a noite se tornou uma das escritoras mais populares do Brasil, aparecendo constantemente em tev\u00eas, r\u00e1dios, jornais, revistas. Em 1961, Carolina <\/span><u style=\"font-size: 1em\"><a href=\"https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/iah\/fulltext\/resolucoescmsp\/RC1861.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">recebeu o t\u00edtulo de Cidad\u00e3 Paulistana<\/a><\/u><span style=\"font-size: 1em\">, da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo (CMSP), a partir de um projeto do vereador <\/span><u style=\"font-size: 1em\"><a href=\"https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes-anteriores\/revista-apartes\/numero-14-mai2015\/o-que-so-ele-viu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00cdtalo Fittipaldi<\/a><\/u><span style=\"font-size: 1em\">. Celebrado por escritores como Clarice Lispector e Manuel Bandeira, <\/span><em style=\"font-size: 1em\">Quarto de despejo<\/em><span style=\"font-size: 1em\"> tamb\u00e9m foi visto com desconfian\u00e7a por alguns cr\u00edticos brancos, que questionavam os m\u00e9ritos liter\u00e1rios da obra ou at\u00e9 mesmo colocavam em d\u00favida que uma mulher negra com apenas dois anos de estudo formal pudesse t\u00ea-lo escrito. Nos anos seguintes, foi traduzido para 13 l\u00ednguas e publicado em mais de 40 pa\u00edses, onde vendeu mais de um milh\u00e3o de exemplares.<\/span><\/p>\n<p>Carolina era muitas. Al\u00e9m do di\u00e1rio que a tornou c\u00e9lebre, escreveu poemas, romances, pe\u00e7as de teatro, prov\u00e9rbios. E sua arte tamb\u00e9m se expressava em outras linguagens. Gravou um disco em que cantava 12 can\u00e7\u00f5es compostas por ela. E tinha talento para as artes visuais, a julgar pelas \u201cfantasias sensacionais\u201d que confeccionava para se apresentar em um circo da favela ou para sair no Carnaval, misturando penas de galinha carij\u00f3 com lampadinhas que acendiam em seu vestido, uma composi\u00e7\u00e3o visual que hoje poderia ser chamada de afrofuturista.<\/p>\n<p>Mas todo esse talento n\u00e3o bastou para impedir que Carolina morresse na pobreza, em 1977, aos 62 anos, esquecida pelo \u201cmundo dos brancos\u201d, como ela se referia aos que mandam no Pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/02\/Carolina_Maria_de_Jesus_Quarto_de_despejo_Cantando_suas_Composicoes_Disco.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; credit=&#8221;Disco &#8216;Quarto de despejo&#8217;, em que Carolina canta suas composi\u00e7\u00f5es, lan\u00e7ado em 1961 | Cr\u00e9dito: RCA Victor&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n\n<h3 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #12a19a\">Com as caras de Carolina<\/span><\/strong><\/h3>\n<p>Leitores, artistas, ativistas e pesquisadores negros e negras, por\u00e9m, nunca se esqueceram de Carolina. \u00c0 medida que autores negras e negros foram conquistando cada vez mais espa\u00e7o na m\u00eddia, nas artes e na academia, o nome da autora de Sacramento foi resgatado para as novas gera\u00e7\u00f5es, principalmente a partir do centen\u00e1rio da autora, em 2014, por meio de reedi\u00e7\u00f5es, document\u00e1rios, exposi\u00e7\u00f5es, biografias, sambas-enredos, homenagens.<\/p>\n<p>Uma dessas homenagens \u00e9 o pr\u00eamio Carolina Maria de Jesus, institu\u00eddo pela C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo, por meio da <a href=\"https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/iah\/fulltext\/resolucoescmsp\/RC421.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">resolu\u00e7\u00e3o 4, de 14 de julho de 2021<\/a>, a partir de projeto dos vereadores Erika Hilton (PSOL), Antonio Donato (PT), Eduardo Suplicy (PT), Luana Alves (PSOL), Paulo Frange (PTB), Professor Toninho Vespoli (PSOL) e Senival Moura (PT).<\/p>\n<p>\u201cCarolina \u00e9 um ancestral que est\u00e1 entre n\u00f3s. Poder, atrav\u00e9s dela, reconhecer o trabalho de outras mulheres incr\u00edveis e t\u00e3o potentes como ela \u00e9 algo que me deixa profundamente feliz\u201d, afirma Erika Hilton. Para estar \u00e0 altura de Carolina, Cinthia Gomes, ent\u00e3o chefe de gabinete da vereadora e integrante da Marcha de Mulheres Negras de S\u00e3o Paulo, explica que a honraria foi pensada para \u201creconhecer o trabalho das mulheres negras nas diferentes \u00e1reas em que Carolina atuou\u201d, como escritora, m\u00fasica, artista visual, educadora e catadora.<\/p>\n<p>Assim, o pr\u00eamio homenageia mulheres negras que se destaquem em cinco categorias: escrita liter\u00e1ria (prosa e poesia); m\u00fasica (canto e composi\u00e7\u00e3o); arte de rua; educa\u00e7\u00e3o e luta contra a fome e a mis\u00e9ria (concedida a catadoras). A escolha \u00e9 feita por uma comiss\u00e3o julgadora, indicada pela Comiss\u00e3o Extraordin\u00e1ria de Direitos Humanos e Cidadania da CMSP.<\/p>\n[aesop_gallery  id=&#8221;98548&#8243; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p>A estreia do pr\u00eamio se deu no m\u00eas da Consci\u00eancia Negra, em 18 de novembro de 2022, no Sal\u00e3o Nobre do Pal\u00e1cio Anchieta, que se viu tomado pelo batuque e pelo ax\u00e9 do Bloco Afro Il\u00fa Oba De Min, formado apenas por mulheres, que abriu o evento cantando sobre Carolina, batendo em tambores e desfilando em pernas de pau diante do olhar sisudo dos bandeirantes e padres dos quadros que adornam o sal\u00e3o.<\/p>\n<p>N<span style=\"font-size: 1em\">a primeira edi\u00e7\u00e3o, o pr\u00eamio homenageou a escritora Alice Cavalcante de Andrade, a Lama, autora do livro <\/span><em style=\"font-size: 1em\">Da Lama ao Caos, <\/em><span style=\"font-size: 1em\">a cantora Bia Ferreira, a artista de rua Rose Leite, a educadora Cristina Adelina Assun\u00e7\u00e3o (projeto Slam Interescolar) e a ativista Ana Rita Dias da Encarna\u00e7\u00e3o, a \u00cdya Ana Rita.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 1em\">\u201cNesta noite n\u00f3s retomamos o nome de Carolina Maria de Jesus e seu legado ao lado de mulheres que tamb\u00e9m assim o fazem na sua vida, na sua trajet\u00f3ria e no seu cotidiano, para reafirmar e relembrar que estamos de p\u00e9 e seguiremos de p\u00e9, que n\u00f3s continuaremos abrindo caminho at\u00e9 que todas as opress\u00f5es e viol\u00eancias cometidas contra n\u00f3s sejam derrubadas e at\u00e9 que nossas humanidades sejam validadas\u201d, saudou Erika Hilton ao final do encontro.<\/span><\/p>\n<p>As pr\u00f3ximas edi\u00e7\u00f5es do pr\u00eamio passam a ocorrer na semana de 14 de mar\u00e7o, no anivers\u00e1rio da escritora.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #12a19a\">\u201cCarolina do Diabo\u201d<\/span> <\/strong><\/h3>\n<p>A pobreza acompanhou Carolina desde seu nascimento, em 1914, em um bairro pobre de Sacramento (MG), onde a popula\u00e7\u00e3o negra que havia ajudado a gerar a riqueza da cidade, como escravizados no garimpo do ouro, agora vivia \u00e0 merc\u00ea de empregos prec\u00e1rios e da viol\u00eancia policial constante. Filha de Maria Carolina de Jesus, a Cota, n\u00e3o teve qualquer contato com o pai, Jo\u00e3o C\u00e2ndido Veloso, um violeiro que sua m\u00e3e havia conhecido num dos bailes da cidade e que sumiu no mundo ap\u00f3s engravid\u00e1-la.<\/p>\n<p>Desde o come\u00e7o, a fam\u00edlia notou que havia algo diferente em Carolina. A crian\u00e7a n\u00e3o parava de falar, fazendo tantas perguntas sobre o mundo que sua m\u00e3e e suas tias pensaram que pudesse ser louca. Em suas mem\u00f3rias, Carolina conta que sua m\u00e3e a levou ao dirigente de um grupo esp\u00edrita que atuava como m\u00e9dico sem licen\u00e7a, Euripedes Barsanulfo, quando ela tinha por volta de quatro anos. Ap\u00f3s examin\u00e1-la, Barsanulfo teria diagnosticado que a menina n\u00e3o era louca, mas que teria um destino diferente: \u201cEla vai adorar tudo que \u00e9 belo. A sua filha \u00e9 poetisa\u201d.<\/p>\n[aesop_gallery  id=&#8221;98508&#8243; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p>Era um diagn\u00f3stico que se mostrava bastante distante da realidade da comunidade de Carolina, onde praticamente todos eram analfabetos \u2014 embora o seu av\u00f4 materno, Benedito Jos\u00e9 da Silva, fosse um homem respeitado na cidade pela sua sabedoria, conhecido como \u201cS\u00f3crates africano\u201d. Foi um acaso que acabou levando a crian\u00e7a a ser alfabetizada. Cota foi trabalhar como lavadeira para Maria Leite Monteiro dos Barros, que dizia gostar de ajudar pobres e negros, e que fez quest\u00e3o de que Carolina fosse matriculada no Col\u00e9gio Esp\u00edrita Allan Kardec.<\/p>\n<p>Na escola, foi alfabetizada pela professora Lanita Salvina, de quem Carolina iria sempre se lembrar. Ela incentivou a menina a escrever o que lhe vinha \u00e0 mente e lutar pelos seus sonhos, mostrando hist\u00f3rias de pessoas negras que haviam vencido na vida. Ap\u00f3s dois anos, contudo, a futura escritora teve de deixar a escola para acompanhar a m\u00e3e em outros trabalhos. Nunca mais voltaria a ter qualquer oportunidade de estudo formal.<\/p>\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;S\u00f3 gosta do frio quem tem abrigo.&#8221; cite=&#8221;Carolina Maria de Jesus&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p>Ao lado da m\u00e3e ou sozinha, Carolina passou a adolesc\u00eancia trabalhando em Sacramento e nas cidades da regi\u00e3o em uma s\u00e9rie de empregos prec\u00e1rios, como cozinheira, empregada dom\u00e9stica ou trabalhadora rural, explorada por patr\u00f5es que pagavam pouco ou nada, em condi\u00e7\u00f5es que hoje seriam descritas como an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o, mas na \u00e9poca eram a regra. Dormiu nas ruas e em unidades da Santa Casa.<\/p>\n<p>Mesmo em condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o dif\u00edceis, estava sempre lendo tudo o que lhe ca\u00edsse em m\u00e3os, de romances a dicion\u00e1rios. A leitura apaixonada e obsessiva levou Carolina a mergulhar por conta pr\u00f3pria na arte liter\u00e1ria e, de tanto amar as palavras alheias, passou a escrever as suas, principalmente na forma de poemas. <em>\u201cO meu sonho era viver cem anos para ler todos os livros que h\u00e1 no mundo\u201d<\/em>, escreveria, anos depois.<\/p>\n\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;right&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;O meu sonho era viver cem anos para ler todos os livros que h\u00e1 no mundo.&#8221; cite=&#8221;Carolina Maria de Jesus&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p>A jovem negra, sentada na frente do port\u00e3o de casa com um livro nas m\u00e3os, era uma vis\u00e3o t\u00e3o inusitada para a Sacramento do come\u00e7o do s\u00e9culo que levou vizinhos a chamarem a pol\u00edcia. Inventaram que a menina teria sido vista lendo o <em>Livro de S\u00e3o Cipriano<\/em> (um comp\u00eandio de magias e simpatias que, embora de origem europeia, era associado aos negros na imagina\u00e7\u00e3o racista de muitos brasileiros) para jogar feiti\u00e7os sobre os brancos. A pol\u00edcia foi at\u00e9 a casa de Carolina e, ao tentar interceder pela filha, Cota acabou presa junto com ela.<\/p>\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/02\/Carolina_Maria_de_Jesus_governador_Leonal_Brizola_Sul_1961_Correio_da_Manha.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;450px&#8221; credit=&#8221;Com Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul, em 1961 | Cr\u00e9dito: Correio da Manh\u00e3\/Arquivo Nacional&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/02\/Carolina_Maria_de_Jesus_presidente_Joao_Goulart_1961_Correio_da_Manha-1.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;600px&#8221; credit=&#8221;Carolina com o presidente Jo\u00e3o Goulart, em 1961 | Cr\u00e9dito: Correio da Manh\u00e3\/Arquivo Nacional&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p>Aquela foi a segunda deten\u00e7\u00e3o de Carolina. A primeira havia acontecido anos antes, quando um padre chamado Geraldo a acusou de furtar 100 mil r\u00e9is de sua casa. S\u00f3 n\u00e3o teve consequ\u00eancias mais s\u00e9rias porque o sacerdote acabou encontrando o dinheiro antes que a pol\u00edcia encostasse a m\u00e3o na menina.<\/p>\n<p>Dessa vez, por\u00e9m, seria diferente. M\u00e3e e filha foram levadas \u00e0 Cadeia P\u00fablica, onde os policiais torturaram ambas ao longo de cinco dias. Quando enfim foram libertadas, Cota carregava um dos bra\u00e7os fraturado. Presas, castigadas e soltas, m\u00e3e e filha nunca chegaram a ser acusadas de nada \u2014 assim como os policiais que as espancaram ou o padre que a acusou falsamente.<\/p>\n<p>Quando Carolina Maria de Jesus deixou sua cidade natal com destino a S\u00e3o Paulo, que diziam ser \u201cum para\u00edso para os pobres\u201d que buscassem progredir na vida, o povo de Sacramento a chamava de \u201cCarolina do Diabo\u201d.<\/p>\n\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;N\u00e3o h\u00e1 coisa pior na vida do que a pr\u00f3pria vida.&#8221; cite=&#8221;Carolina Maria de Jesus&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n\n<h3 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #12a19a\">Quarto de despejo<\/span><\/strong><\/h3>\n<p>Carolina foi tentar a vida em S\u00e3o Paulo, em 1937, e n\u00e3o demorou para descobrir que a cidade n\u00e3o era o \u201cpara\u00edso\u201d dos pobres como tinham lhe contado. Tentou v\u00e1rios empregos: auxiliar de enfermagem, faxineira, artista de circo, cozinheira, empregada dom\u00e9stica. Vivia sendo demitida. Muitas vezes, por entrar em choque com patr\u00f5es exploradores (<em>\u201cN\u00e3o gosto de trabalhar\/ Para os donos de pens\u00e3o\/ Que quer tudo muito limpo\/ Mas n\u00e3o quer comprar sab\u00e3o\u201d<\/em>, denunciou em um poema). Em outras, por n\u00e3o conseguir concentrar no trabalho uma cabe\u00e7a que s\u00f3 pensava em literatura: <em>\u201cEntre o fog\u00e3o e as panelas, s\u00f3 o diabo da poesia me tentava&#8230; Certo dia enquanto escrevia uma poesia, a panela do feij\u00e3o queimou e a patroa me mandou embora\u201d<\/em>.<\/p>\n\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;right&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;Entre o fog\u00e3o e as panelas, s\u00f3 o diabo da poesia me tentava&#8230; Certo dia enquanto escrevia uma poesia, a panela do feij\u00e3o queimou e a patroa me mandou embora.&#8221; cite=&#8221;Carolina Maria de Jesus&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p>Passou a catar materiais recicl\u00e1veis nas ruas para vender. Um trabalho exaustivo, que mal lhe garantia o alimento, mas ao menos era uma fun\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o tinha que abaixar a cabe\u00e7a para ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/02\/Carolina_Maria_de_Jesus_favela_Caninde.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;500px&#8221; credit=&#8221;Carolina diante da favela do Canind\u00e9 | Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p>Engravidou, mas a filha nasceu morta, por causa das condi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis em que Carolina vivia. Novamente gr\u00e1vida, foi morar na rec\u00e9m-criada favela do Canind\u00e9, \u00e0 beira do Rio Tiet\u00ea, pr\u00f3ximo do atual Est\u00e1dio do Canind\u00e9 &#8211; Portuguesa. Com as sobras de madeiras da constru\u00e7\u00e3o da Igreja Nossa Senhora do Brasil, uma das mais imponentes da cidade, ergueu o seu barraco. Na favela nasceram seus tr\u00eas filhos: Jo\u00e3o Jos\u00e9 de Jesus, em 1948; Jos\u00e9 Carlos de Jesus, em 1950; e Vera Eunice de Jesus Lima, em 1953. Todos filhos de pais diferentes, mas com algo em comum: a aus\u00eancia. <em>\u201cTudo na minha vida \u00e9 fant\u00e1stico. Pai n\u00e3o conhece filho, filho n\u00e3o conhece pai. 10 de agosto. Dia do Papai. Um dia sem gra\u00e7a\u201d,<\/em> escreveu Carolina em um dos cadernos nos quais anotava tudo o que acontecia em sua vida.<\/p>\n\n\n\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/02\/Carolina_Maria_de_Jesus_e_Filhos_Joao_Jose_Carlos_Vera_Eunice.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;500px&#8221; credit=&#8221;Carolina e os filhos Jo\u00e3o Jos\u00e9, Jos\u00e9 Carlos e Vera Eunice | Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p>Seguia escrevendo sem parar, em folhas e cadernos que encontrava no lixo. Al\u00e9m dos di\u00e1rios, escreveu pe\u00e7as de teatro para apresentar nos circos, mas esbarrava no racismo. Os diretores lhe diziam: \u201c\u00c9 pena voc\u00ea ser preta\u201d. De volta para casa, anotava: <em>\u201cEsquecendo-se eles que eu adoro a minha pele negra, e o meu cabelo r\u00fastico. Eu at\u00e9 acho o cabelo de negro mais educado do que o cabelo de branco. Porque o cabelo de preto onde p\u00f5e, fica. \u00c9 obediente. E o cabelo de branco, \u00e9 s\u00f3 dar um movimento na cabe\u00e7a \u00eale j\u00e1 sai do lugar. \u00c9 indisciplinado. Se \u00e9 que existe reincarna\u00e7\u00f5es, eu quero voltar sempre preta.\u201d<\/em><\/p>\n\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;Se \u00e9 que existe reincarna\u00e7\u00f5es, eu quero voltar sempre preta.&#8221; cite=&#8221;Carolina Maria de Jesus&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p>Passou d\u00e9cadas frequentando as reda\u00e7\u00f5es de jornais para mostrar os seus textos. Conseguiu publicar alguns artigos e poemas, mas muitas vezes n\u00e3o era levada a s\u00e9rio. Ao perguntar a um jornalista da reda\u00e7\u00e3o de <em>O Dia<\/em>, Francisco S\u00e1, se gostaria de ouvir os \u00faltimos versos que tinha escrito, a resposta foi \u201cOh, meu Deus! Por que \u00e9 que eu n\u00e3o nasci surdo?!\u201d. Ambiciosa, chegou a mandar originais para a revista <em>Reader\u2019s Digest<\/em> (<em>Sele\u00e7\u00f5es<\/em>), em Nova York, que os devolveu. Nada dava certo.<\/p>\n<p>At\u00e9 que um dia, em 1958, apareceu no Canind\u00e9 um jovem rep\u00f3rter chamado Aud\u00e1lio Dantas, em busca de uma mat\u00e9ria sobre a vida na favela. Ao conhecer Carolina e seus escritos, Aud\u00e1lio desistiu de escrever a reportagem. \u201cA hist\u00f3ria que eu buscava na favela j\u00e1 estava escrita com furor, revolta e \u00e0s vezes at\u00e9 com lirismo, em mais de vinte cadernos encardidos, pela favelada Carolina Maria de Jesus\u201d, escreveu o jornalista, ao recordar aquele momento.<\/p>\n\n\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/02\/Carolina_Maria_de_Jesus_reporter_Audalio_Dantas_atriz_Ruth_de_Souza_teatro.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;500px&#8221; credit=&#8221;Carolina, o rep\u00f3rter Aud\u00e1lio Dantas e a atriz Ruth de Souza, que interpretou a escritora no teatro | Cr\u00e9dito: Fot\u00f3grafo n\u00e3o identificado\/Cole\u00e7\u00e3o Ruth de Souza&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p>De volta \u00e0 reda\u00e7\u00e3o da <em>Folha da Noite<\/em>, onde trabalhava, Aud\u00e1lio colocou sobre a mesa do editor Hideo Onaga seis dos cadernos de Carolina e, sob o olhar desconfiado do chefe, sentenciou: \u201cPronto, a reportagem t\u00e1 aqui\u201d. Ao ler os manuscritos, o editor concordou que ningu\u00e9m poderia descrever a vida na favela melhor do que aqueles textos e ainda comentou: \u201cIsso d\u00e1 um livro\u201d.<\/p>\n\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;right&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;&#8230;Eu cato papel, mas n\u00e3o gosto. Ent\u00e3o eu penso: faz de conta que estou sonhando.&#8221; cite=&#8221;Carolina Maria de Jesus&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p>Trechos do di\u00e1rio de Carolina foram apresentados ao p\u00fablico em uma reportagem de p\u00e1gina inteira do jornal, em 9 de maio de 1958: \u201cO drama da favela escrito por uma favelada\u201d. No ano seguinte, Aud\u00e1lio voltou a escrever sobre Carolina, agora numa reportagem da revista <em>O Cruzeiro<\/em>, a publica\u00e7\u00e3o mais lida do Brasil n\u00e3o s\u00f3 naquela \u00e9poca, mas em toda a hist\u00f3ria. A repercuss\u00e3o dessa vez foi enorme e levou a um convite da editora Francisco Alves, uma das mais importantes da \u00e9poca, para transformar o di\u00e1rio em livro.<\/p>\n<p>Aud\u00e1lio passou um ano editando trechos dos manuscritos e adequando os textos \u00e0 norma culta, trabalho que resultou em <em>Quarto de despejo<\/em>, publicado em agosto de 1960. O nome vinha de uma defini\u00e7\u00e3o dada por Carolina para o local ocupado pela favela na ordem das coisas: <em>\u201cQuando estou na cidade tenho a impress\u00e3o que estou na sala de visita com seus lustres de cristais, seus tapetes de viludos, almofadas de sitim. E quando estou na favela tenho a impress\u00e3o que sou um objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/02\/Carolina_Maria_de_Jesus_manuscrito_Quarto_de_Despejo.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; imgwidth=&#8221;500&#8243; credit=&#8221;Manuscrito do livro Quarto de Despejo | Cr\u00e9dito: Acervo Biblioteca Nacional.&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;E quando estou na favela tenho a impress\u00e3o que sou um objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo.&#8221; cite=&#8221;Carolina Maria de Jesus&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p>Foi esse o \u00fanico momento que Vera Eunice lembra de ter visto sua m\u00e3e feliz: ao pegar em m\u00e3os o seu livro publicado e ler em voz alta o t\u00edtulo e o nome da autora. \u201cEla teve esse momento feliz. Mas eu sempre digo que a minha m\u00e3e nunca foi feliz. Se voc\u00ea for olhar a vida dela desde que ela nasceu, minha m\u00e3e n\u00e3o teve felicidade\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>O livro trazia um retrato cru da vida em um dos locais mais pobres de uma metr\u00f3pole brasileira como ningu\u00e9m ainda tinha visto naqueles tempos. N\u00e3o era a mis\u00e9ria festiva de tantas letras de m\u00fasica, nem a pobreza romantizada dos heroicos meninos de rua pr\u00e9-revolucion\u00e1rios de Jorge Amado. O sofrimento embrutecedor do cotidiano paulistano retratado nos di\u00e1rios guardava mais semelhan\u00e7a, isso sim, com a tradi\u00e7\u00e3o dos livros sobre os sert\u00f5es nordestinos. \u201cGuardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, <em>Quarto de despejo <\/em>foi um <em>Os Sert\u00f5es<\/em> urbano: desmentiu idealiza\u00e7\u00f5es arraigadas. Adeus favela querida, pertinho do c\u00e9u\u201d, compara o historiador Joel Rufino dos Santos, ressaltando uma diferen\u00e7a importante em rela\u00e7\u00e3o a todos os demais: acontecimento raro na literatura brasileira, o livro de Carolina trazia uma vis\u00e3o de dentro, escrita por uma pessoa que vivia no corpo e na mente a realidade da pobreza que descrevia.<\/p>\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/02\/Carolina_Maria_de_Jesus_assinando_livro_quarto_de_despejo_autografo.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; credit=&#8221;Carolina deixa sua assinatura em noite de aut\u00f3grafos do Quarto de despejo | Cr\u00e9dito: Correio da Manh\u00e3\/Arquivo Nacional &#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p>E que fazia isso num estilo pr\u00f3prio, misturando express\u00f5es da linguagem oral de Minas Gerais e S\u00e3o Paulo com termos mais raros, de origem liter\u00e1ria, como \u201castro rei\u201d, \u201cn\u00edvea\u201d e \u201cabluir\u201d \u2014 os quais despertaram tanta perplexidade no cr\u00edtico liter\u00e1rio Wilson Martins, por virem de uma escritora negra com pouca educa\u00e7\u00e3o formal, que ele por duas vezes acusou <em>Quarto de despejo<\/em> de ser uma falsifica\u00e7\u00e3o criada por Aud\u00e1lio Dantas.<\/p>\n<p>A rotina contada nos di\u00e1rios \u00e9 massacrante e repetitiva. Carolina acorda de madrugada para buscar \u00e1gua na \u00fanica torneira que servia \u00e0 favela e depois passa o dia catando e revendendo pap\u00e9is velhos e sucata, em busca de dinheiro suficiente apenas para comprar a comida daquele dia, em meio \u00e0s queixas constantes dos tr\u00eas filhos. Em cada p\u00e1gina, a presen\u00e7a permanente da fome, que muda a fei\u00e7\u00e3o do mundo, deixando <em>\u201co c\u00e9u, as \u00e1rvores, as aves, tudo amarelo\u201d<\/em>. Uma fome que, como nota a escritora Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, \u00e9 mais do que f\u00edsica, mas \u201cmet\u00e1fora do vazio, da dor, do inexplic\u00e1vel, da vacuidade existencial\u201d.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #12a19a\">Morte e resgate<\/span><\/strong><\/h3>\n<p><em>\u201c15 de julho de 1955. Anivers\u00e1rio de minha filha Vera Eunice. Eu pretendia comprar um par de sapatos para ela. Mas o custo dos generos alimenticios nos impede a realiza\u00e7\u00e3o de nossos desejos. Atualmente somos escravos do custo de vida. Eu achei um par de sapatos no lixo, lavei e remendei para ela cal\u00e7ar.\u201d <\/em><\/p>\n<p>A crian\u00e7a que usava sapatinhos resgatados pela m\u00e3e do lixo, na abertura de <em>Quarto de despejo,<\/em> hoje \u00e9 uma professora aposentada de 69 anos. Na noite de lan\u00e7amento do pr\u00eamio Carolina Maria de Jesus da CMSP, em que foi homenageada com um voto de j\u00fabilo, usava um vestido assinado pela estilista Isaac Silva, em que estampas de flores em preto e branco dividiam espa\u00e7o com a inscri\u00e7\u00e3o VIVA CAROLINA.<\/p>\n<p>O vestido, explica Vera, \u00e9 parte de uma cole\u00e7\u00e3o da estilista inspirada na obra de Carolina. Mulher trans e negra nascida no interior da Bahia, v\u00edtima constante do preconceito, Isaac Silva contou a Vera que leu <em>Quarto de despejo <\/em>na adolesc\u00eancia e encontrou ali uma refer\u00eancia de resist\u00eancia e for\u00e7a para seguir em frente. Hist\u00f3rias assim a filha de Carolina ouve o tempo todo. \u201cMuitas pessoas pegam minha m\u00e3e como exemplo para alcan\u00e7ar um sonho que \u00e0s vezes acham que \u00e9 imposs\u00edvel\u201d, afirma. Ela relata ter ficado muito satisfeita com a premia\u00e7\u00e3o da CMSP: \u201cAs homenagens s\u00e3o muito bem-vindas, especialmente quando v\u00eam das mulheres\u201d.<\/p>\n\n[aesop_image  img=&#8221;https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-content\/uploads\/sites\/26\/2023\/02\/Carolina_Maria_de_Jesus_mae_Vera_Eunice_filha_Premio_Camara_CMSP.jpg&#8221; panorama=&#8221;off&#8221; credit=&#8221;Vera Eunice, filha de Carolina: \u201cMinha m\u00e3e escrevia de tudo e lindo\u201d | Cr\u00e9dito: Gute Garbelotto \/ CMSP&#8221; align=&#8221;center&#8221; lightbox=&#8221;on&#8221; captionsrc=&#8221;custom&#8221; captionposition=&#8221;left&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221; text_float=&#8221;off&#8221;]\n<p>\u201cMinha vida, hoje, \u00e9 propagar a mem\u00f3ria da minha m\u00e3e\u201d, conta Vera. Como parte dessa miss\u00e3o, coordena, junto com a escritora Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, a equipe que tem reeditado a obra de Carolina, dessa vez buscando respeitar o texto original usado por ela em seus manuscritos, sem os cortes nem as tentativas de adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 norma culta feitos por Aud\u00e1lio Dantas e outros editores. Segundo Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, embora \u201co registro diferenciado da l\u00edngua portuguesa por Carolina Maria de Jesus\u201d tenha sido \u201centendido e julgado como um texto mal escrito, dissonante da linguagem permitida\u201d e por isso passado por tantas altera\u00e7\u00f5es pelos editores do seu tempo, uma leitura cuidadosa revela \u201cum sujeito de cria\u00e7\u00e3o consciente de que escrever \u00e9 um exerc\u00edcio de linguagem, motivo pelo qual a autora se empenha em fazer a escolha das palavras com tanto afinco\u201d, escrevendo em \u201cpretugu\u00eas\u201d, o portugu\u00eas com influ\u00eancia africana que se fala no Brasil, na defini\u00e7\u00e3o da feminista negra L\u00e9lia Gonzalez.<\/p>\n<p>As interfer\u00eancias de Aud\u00e1lio Dantas na obra de Carolina foram um dos pontos de tens\u00e3o dentro da complicada rela\u00e7\u00e3o que os dois tiveram, marcada por muita amizade, mas tamb\u00e9m muitos conflitos \u2014 embora Aud\u00e1lio, um dos maiores rep\u00f3rteres do Brasil, admirasse Carolina e considerasse a reportagem que escreveu sobre ela a mais importante de toda a sua carreira. Foi por sugest\u00e3o do jornalista que Carolina voltou a escrever um di\u00e1rio, embora ela tivesse mais vontade de publicar outros g\u00eaneros liter\u00e1rios. \u201cEle devia ter tido um olhar n\u00e3o s\u00f3 para o di\u00e1rio, mas para os romances, poemas, pe\u00e7as teatrais, prov\u00e9rbios, quadrinhas&#8230; Minha m\u00e3e escrevia de tudo e lindo\u201d, lamenta Vera.<\/p>\n<p>O<span style=\"font-size: 1em\">\u00a0fato \u00e9 que o Brasil da \u00e9poca n\u00e3o parecia interessado em acolher Carolina fora da personagem da \u201cescritora favelada\u201d. Com os rendimentos do primeiro livro, ela conseguiu se mudar para um im\u00f3vel em Santana, na zona norte de S\u00e3o Paulo, experi\u00eancia narrada no di\u00e1rio que deu origem ao seu segundo livro, <\/span><em style=\"font-size: 1em\">Casa de alvenaria<\/em><span style=\"font-size: 1em\">, que chamou pouca aten\u00e7\u00e3o. As obras seguintes de Carolina, o romance <\/span><em style=\"font-size: 1em\">Peda\u00e7os da fome <\/em><span style=\"font-size: 1em\">e a colet\u00e2nea <\/span><em style=\"font-size: 1em\">Prov\u00e9rbios<\/em><span style=\"font-size: 1em\">, publicados em 1963, ela bancou do pr\u00f3prio bolso. Os livros foram ignorados e, embora Carolina continuasse a escrever, n\u00e3o conseguiria publicar mais nada at\u00e9 o final da vida.<\/span><\/p>\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;left&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;Dentro de uma sociedade desigual todo mundo \u00e9 desgra\u00e7ado.&#8221; cite=&#8221;Carolina Maria de Jesus&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p>Para piorar, a sa\u00edda do quarto de despejo se mostrou mais dif\u00edcil do que poderia imaginar, porque passou a sofrer ainda mais com o racismo. \u201cQuando ela foi para a casa de alvenaria, que era o sonho da sala de visitas, n\u00e3o foi bem recebida, por causa principalmente da cor\u201d, conta Vera.<\/p>\n<p>Foi quando Carolina mudou-se com os tr\u00eas filhos para um s\u00edtio em Parelheiros, no extremo sul. A essa altura, os rendimentos do livro j\u00e1 tinham minguado. Vivendo do que plantava e criava, a fam\u00edlia voltou a passar fome. Era uma fome diferente do que tinham vivido na favela, mas ainda assim fome. \u201cN\u00f3s t\u00ednhamos, por exemplo, o feij\u00e3o que ela plantava, mas n\u00e3o tinha o arroz. Tinha ab\u00f3bora, mas n\u00e3o tinha sal, n\u00e3o tinha \u00f3leo. Ela gostava de caf\u00e9, mas n\u00e3o tinha\u201d, relembra Vera Eunice.<\/p>\n\n[aesop_quote  type=&#8221;block&#8221; background=&#8221;#282828&#8243; text=&#8221;#ffffff&#8221; align=&#8221;right&#8221; size=&#8221;1&#8243; quote=&#8221;O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que j\u00e1 passou fome.&#8221; cite=&#8221;Carolina Maria de Jesus&#8221; revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p>Foi nessa situa\u00e7\u00e3o de volta ao quarto de despejo que Carolina morreu, em 1977, durante uma crise de asma. Uns poucos amigos e vizinhos pagaram seu enterro. As \u00fanicas flores do caix\u00e3o eram as que ela pr\u00f3pria havia plantado. Numa carta que deixou para a filha, pediu que a seu t\u00famulo n\u00e3o levassem flores, mas livros.<\/p>\n[aesop_gallery  id=&#8221;98550&#8243; revealfx=&#8221;off&#8221; overlay_revealfx=&#8221;off&#8221;]\n<p>Quase ignorada em sua morte, Carolina foi sendo resgatada nos anos seguintes. Hoje, <em>Quarto de despejo<\/em> \u00e9 leitura obrigat\u00f3ria em escolas e vestibulares, e as livrarias a cada ano recebem reedi\u00e7\u00f5es e obras in\u00e9ditas da autora. Na cidade de Sacramento, o tempo vingou Carolina e sua m\u00e3e: o antigo pr\u00e9dio onde ambas foram torturadas abriga hoje um arquivo p\u00fablico destinado \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do acervo da escritora, incluindo 37 cadernos de manuscritos doados por Vera Eunice. Em 2021, a catadora de papel que s\u00f3 teve dois anos de estudo recebeu o t\u00edtulo de doutora <em>honoris causa<\/em> da Universidade Federal do Rio de Janeiro. E, no ano passado, al\u00e9m do pr\u00eamio da CMSP, Carolina ganhou uma est\u00e1tua, instalada em Parelheiros e esculpida por N\u00e9ia Ferreira, que mostra a escritora com um l\u00e1pis na m\u00e3o e os olhos no c\u00e9u, como parte de um projeto da Secretaria Municipal da Cultura para ampliar a diversidade racial dos monumentos paulistanos, <u><a href=\"https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/um-problema-monumental\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dominados por homenagens a homens brancos.<\/a><\/u><\/p>\n<p>Sobre sua trajet\u00f3ria, escreveu o bi\u00f3grafo Tom Farias: \u201cDa favela do Canind\u00e9 para o mundo, da falta de p\u00e3o e comida \u00e0 fartura da carne e da dispensa cheia, Carolina Maria de Jesus viveu os altos e baixos da sociedade do seu tempo, mas como principal protagonista, sofrendo as a\u00e7\u00f5es de um tempo que, felizmente, ainda n\u00e3o a esqueceu\u201d.<\/p>\n\n<h3 style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"color: #12a19a\">Saiba mais<\/span><\/strong><\/h3>\n<h5 style=\"background-color: #12a19a;text-align: center\"><span style=\"color: #ffffff\"><strong>Livros de Carolina Maria de Jesus<\/strong><\/span><\/h5>\n<p>Quarto de despejo: di\u00e1rio de uma favelada. Edi\u00e7\u00e3o comemorativa. \u00c1tica, 2021<br \/>\nCasa de alvenaria \u2013 Volume 1: Osasco. Companhia das Letras, 2021<br \/>\nCasa de alvenaria \u2013 Volume 2: Santana. Companhia das Letras, 2021<br \/>\nDi\u00e1rio de Bitita. Sesi-SP, 2014<\/p>\n<h5 style=\"background-color: #12a19a;text-align: center\"><span style=\"color: #ffffff\"><strong>Outros livros<\/strong><\/span><\/h5>\n<p>BARBOSA, Sirlene e PINHEIRO, Jo\u00e3o. Carolina. Veneta, 2016<br \/>\nDANTAS, Aud\u00e1lio Ferreira. Tempo de reportagem. Leya, 2012<br \/>\nFARIAS, Tom. Carolina: Uma biografia. Mal\u00ea, 2019<br \/>\nSANTOS, Joel Rufino dos. Carolina Maria de Jesus: uma escritora improv\u00e1vel. Garamond, 2011<\/p>\n<h5 style=\"background-color: #12a19a;text-align: center\"><span style=\"color: #ffffff\"><strong>Filmes<\/strong><\/span><\/h5>\n<p><u><a href=\"https:\/\/youtu.be\/8GyRhazy7cE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Das nuvens para baixo<\/a><\/u>. Dirigido por Marco Antonio Gon\u00e7alves e Eliska Altmann, 2015<br \/>\n<u><a href=\"https:\/\/vimeo.com\/174292663\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Carolina<\/a><\/u>. Dirigido por Jeferson De, 2003<\/p>\n\n<h4 style=\"text-align: center\">Receba a newsletter da Apartes em seu e-mail<\/h4>\n<div class=\"tnp tnp-subscription \">\n<form method=\"post\" action=\"https:\/\/homolog.saopaulo.sp.leg.br\/apartes\/wp-admin\/admin-ajax.php?action=tnp&amp;na=s\">\n<input type=\"hidden\" name=\"nlang\" value=\"\">\n<div class=\"tnp-field tnp-field-firstname\"><label for=\"tnp-1\">Nome<\/label>\n<input class=\"tnp-name\" type=\"text\" name=\"nn\" id=\"tnp-1\" value=\"\" placeholder=\"\" required><\/div>\n<div class=\"tnp-field tnp-field-email\"><label for=\"tnp-2\">E-mail<\/label>\n<input class=\"tnp-email\" type=\"email\" name=\"ne\" id=\"tnp-2\" value=\"\" placeholder=\"\" required><\/div>\n<div class=\"tnp-field tnp-field-button\" style=\"text-align: left\"><input class=\"tnp-submit\" type=\"submit\" value=\"Fazer cadastro\" style=\"\">\n<\/div>\n<\/form>\n<\/div>\n\n<div class=\"accordion\"><div id=\"accordions-98575\" class=\"accordions-98575 accordions\" data-accordions={&quot;lazyLoad&quot;:true,&quot;id&quot;:&quot;98575&quot;,&quot;event&quot;:&quot;click&quot;,&quot;collapsible&quot;:&quot;true&quot;,&quot;heightStyle&quot;:&quot;content&quot;,&quot;animateStyle&quot;:&quot;swing&quot;,&quot;animateDelay&quot;:1000,&quot;navigation&quot;:true,&quot;active&quot;:999,&quot;expandedOther&quot;:&quot;no&quot;}>\r\n                <div id=\"accordions-lazy-98575\" class=\"accordions-lazy\" accordionsId=\"98575\">\r\n                    <\/div>\r\n\r\n    <div class=\"items\"  style=\"display:none\" >\r\n    <p>Content missing<\/p>\r\n<\/div>\r\n\r\n\r\n\r\n            <\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Fausto Salvadori | fausto@saopaulo.sp.leg.br A reda\u00e7\u00e3o do jornal Folha da Manh\u00e3, um dos antecessores da Folha de S.Paulo, ficou em sil\u00eancio quando anunciaram que \u201cuma poetisa\u201d estava ali para mostrar seus versos \u00e0 equipe, em pleno plant\u00e3o de s\u00e1bado, 24 de fevereiro de 1940. 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